terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Feminicídio em explosão, quem autoriza? Parte II

Feminicídio em explosão, quem autoriza? Parte II Os números contabilizados de Feminicídios de 2024 confirmaram mais um recorde. Seria uma medalha de ouro? Deveríamos nos orgulhar de mais um recorde batido? Foram 1470 em 365 dias, o que faz acontecer 4 a cada 24 horas. Ou seja, durante uma jornada de trabalho do brasileiro comum, que nunca é do oficial 8 horas somente, nem no regime 6x1, na verdade, 7x7, 2 homens matam 2 mulheres. Enquanto você trabalha ou dorme, homens matam mulheres. Não são todos. Existem os que se omitem e, portanto, dão palco para os assassinos. Mas, também existem os que, proativamente, têm lutado contra esse extermínio disfarçado. Não são todos os homens que matam as mulheres, mas são sempre homens que matam. Mas, não temos o número de homens assassinos presos, condenados ou aguardando presos o julgamento. Temos notícia de muitos que fogem do flagrante e estão há anos foragidos. Sem serem incomodados. Onde estão os 1470 assassinos dessas mulheres? Aliás, aproveito para sugerir que a Justiça, diante do desastre humanitário da matança de mulheres, possa ter um caminho de julgamento que seja tão célere quanto os golpes e balas que eles despenderam para assassinar a mulher que ele “amou” e depois “odiou para matar”. Não me refiro a nada sumário, mas poderia ser criada uma Vara que se especializasse nesse tipo de crime. Há evidências, há provas, há confissão na grande maioria, então, por que não simplificar cumprindo todo o rito da ampla defesa? Enxugar os benefícios também seria uma sugestão. Tem um “Marlon” que foi julgado por estuprar uma criança de 13 anos, mas só pegou a pena mínima, 8 anos, e logo foi beneficiado com a “saidinha” de Natal, quando ele estuprou sua própria mãe, e voltou a julgamento mas teve prisão domiciliar, quando matou a enteada. Fez jus à licença de cometer crimes contra mulheres que lhe foi dada. Alguém tem alguma dúvida sobre se está sendo exercida a função da Justiça, do cumprimento da Lei e de sua inerente penalização como regra fundamental de convivência social e hábito de cidadania? Dúvida? Esse não é um exemplo de exceção. É só ter vontade de conhecer, e se informar direito. Ler, e juntar b com a. Estamos falando apenas dos casos letais. Se fossem incluídas as tentativas de Feminicídio, esses números ganhariam um acréscimo em progressão geométrica. Enquanto contamos 1 homem que assassina uma mulher com crueldade a cada quase 4 horas, encontrei vários grupos, preocupadíssimos, com o assassinato de 1 mulher a cada 3 dias. Está acontecendo na França. A mesma França da Revolução de 1789 que esculpiu na Nação os 3 Princípios: Liberté, Égalité, Fraternité. Os estudiosos se perguntam: como? As Mulheres têm todos os direitos na França. E como 1 homem mata 1 mulher a cada 3 dias? A Igualdade foi detonada quando o Direito à Vida lhe é abolido. A Liberdade está ferida. A Fraternidade também foi atingida, posto que uns matam e outros silenciam, consentindo. Nada Fraterno. Nessa minha participação nesses grupos, estudei na França, encontrei além do tema do Feminicídio, o tema do estupro de mulheres, o dos abusos sexuais intrafamiliares contra a criança, o incesto, o da violência física e psicológica contra a criança, e o da violência doméstica contra a mulher. Os grupos são formados por jornalistas especializados, advogados, promotores, psicólogos, e vítimas que descrevem de frente o que sofreram. Adultos que relatam com clareza suas dores e sequelas que carregam desde a infância, 3 anos, 5 anos, até o fim da adolescência, e descrevem uma Justiça desfuncional, de onde se apreende o mesmíssimo modus operandi dos criminosos. As histórias seguem roteiros que não consideram, aparentemente, a geopolítica. Iguais. O que me impressionou foi encontrar o mesmo relato das vítimas desses crimes onde supomos que exista Respeito às Leis, onde os Direitos são, Iguais. Na letra, ao que parece. E aquilo que pensávamos ser um fenômeno dos confins do nordeste, alvo de muito preconceito, acontece em lugar e sociedade com outro desenvolvimento econômico e educacional, bem distinto, dando a impressão que esses avanços civilizatórios não interferem na extinção dessas barbáries. A quantidade é, notavelmente, menor, sim. Mas os homens continuam matando e sendo violentos com mulheres e crianças, mesmo que as condições de vida sejam melhores. É esse o ponto que me intriga.

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