Ana Maria Iencarelli
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
As Franquias de Epstein Parte II.
As Franquias de Epstein.
Parte II
Continuo intrigada com o significado do termo “risco” quando é usado em Processos de Vara de Família. A postura negacionista, amplamente usada, garante., não se sabe baseada em que, a não opção para que se torne realidade. Mas, todos os dias vemos as estatísticas exibirem os riscos consumados em feminicídios e infanticídios. Os corpos de mulheres, crianças, LGBTQIAPN+, indígenas, animais, servem ao gozo de Poder, um exercício onde o infinito, com seu símbolo de 8 deitado, está a serviço da crueldade. Ela não tem limite.
Por ingenuidade, por ignorância ou por, em algum nível, cumplicidade, a sociedade e seu executor de regras do convívio, o sistema judiciário, têm escolhido a bondade diante dos pedo-criminosos e dos feminicidas. Códigos sociais existem, Leis, até de excelência como a Lei Maria da Penha, estão escritas no nosso corolário jurídico, mas quase nada é feito, quase nada segue o procedimento necessário. Os pedo-criminosos, em sua habilidade de convencimento e sua capacidade de dissimulação, são muito bem acolhidos nos processos e audiências, e quando julgados, raridade, lhes é dada a pena mínima e logo entram em regime de progressão de pena, voltando a cometer seus crimes. Vale lembrar que um estuprador, pode até dar um intervalo, mas vai estuprar de novo, e de novo. Isso não é um palpite, não é uma opinião. É resultado de evidências estudadas.
E, evidentemente, é inaugurada a pavimentação da estrada da pedo-criminalidade, com uma pista de 8 faixas de rolamento, só em uma direção, a da perversão. Sem sentido contrário. Não há como voltar. Temos vasta exemplificação nesse momento. O caso Epstein parece ser o carro chefe, seguido de toda sorte de organizações pedo-criminosas e da Cultura Feminicida. Enquanto essas organizações se valem das bondades legais que protegem predadores intrafamiliares, as crianças são condenadas a se tornarem o bônus para seu abusador, inocentado, ao mesmo tempo que são punidas com a Privação Materna Judicial. Falo de organizações porque há um respaldo que agrega esses pedo-criminosos, sempre prontas a prestar auxílio jurídico, e, muitas vezes financeiro. Cada “peixinho” pequeno é importante para proteger para que os grandes “peixes” continuem gozando do anonimato nos crimes. Por que preferir favorecer um adulto suspeito de pedo-crimes, em detrimento de uma criança que está em visível sofrimento? Se não há certeza sobre o relato dela, por que ter certeza da narrativa daquele a quem ela denuncia?
Assim acontecem os crimes contra as mulheres. Elas procuram as delegacias, prestam queixas, colecionam Boletins de Ocorrência e são assassinadas, mesmo assim. Foi uma saga dessas que Maria da Penha Fernandes, depois de anos denunciando a violência, recorreu à OEA, a Organização dos Estados Americanos, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, CIDH, e, só assim, escapou de ser assassinada pelo seu agressor. Há poucos dias um homem assassinou com crueldade uma mulher jovem que já tinha recorrido à Polícia 15 vezes.
Não é difícil entender o descrédito que a população tem nas Instituições que têm como função a garantia da Lei, e a sensação de Justiça que todos precisamos. Temos leis, não temos Justiça. É só ler a notícia de mais um Feminicídio, com as inúmeras anotações criminais no curriculum do criminoso. E aí a pergunta surge: e estava solto? Voltamos à questão do significado semântico do termo “risco”. Nosso Congresso não se interessa pelo assunto da revisão de leis lenientes com criminosos hediondos. Parece que, como eles, homens, andam cercados de seguranças em carros blindados, nem imaginam, e nem querem imaginar, o que é viver com medo, o tempo todo.
Aquele Professor de Direito, que ocupava cargo de direção em Instituto que se diz de direito de família, outra aparência ilibada, que teve 24 vítimas que fizeram denúncias de estupros, um serial que dopava as vítimas e as violentava com ferocidade, machucando-as, ele mesmo estava em evento público, sendo homenageado. Sim, também teve o entendimento que não oferecia risco. Como? Nenhuma vítima foi consultada sobre o medo que teriam com esse relaxamento. Afinal, os juízes e as juízas têm certeza de que são obedecidos pelos criminosos. Não sei em que se baseia essa certeza. Se tivéssemos o procedimento da Responsabilização de quem aposta em criminoso, talvez essa certeza já estivesse sendo visitada pelo benefício da dúvida. E o cuidado aparecesse com a dúvida. E crianças estivessem sendo salvas das redes de pornografia infantil internacional.
É preciso qualificar melhor a competência de todos os agentes que devem promover a Proteção Integral da Criança. A Organização Epstein não morreu, não é problema dos outros países, não está longe. E não vai acabar com ações disciplinares. E está tudo conectado na imensa capilaridade das perversões. Não há caso isolado nem em quantidade, nem em qualidade de crime. É uma rede, também.
Não podemos ser ingênuos em pensar que sabemos por que isso está sendo divulgado, então vamos resolver. Enquanto não olharmos para a etiologia desse defeito que faz crescer uma pessoa sem as estruturas cerebrais responsáveis pela empatia, não vamos instalar uma nova cultura do respeito ao outro. E a Organização Epstein vai continuar ativa. E as Franquias Epstein, também.
O primeiro efeito nefasto é que já subiu o sarrafo, ou seja, já foi operada uma dose de naturalização para os atos de lascívia mais frequentes, mas nunca menos traumáticos e desastrosos. Mas diante de tamanhos horrores, com tortura e morte, incluindo canibalismo de bebês, chocados, depois do estômago embrulhado, das noites de insônia, dos pesadelos que sonhamos, da “paranoia” na vigilância das crianças, que as pessoas serão punidas e passaremos todos a fazer frente aos pedo-criminosos. Acredito que essa exposição é intencional, é para meter mais medo diante do Poder. É uma exibição de força acima de todos e de tudo. É assim que poderosos se comportam. Não recuam, avançam ainda mais mostrando suas armas letais e perversas. É só olhar para os números de Feminicídio e o agravamento de suas atrocidades.
Dessa vez, o da semana, foi um piloto de aviação comercial, pacato senhorzinho, de aparência agradável, acima de qualquer suspeita. alguém que tem sob seu comando um avião com 200 ou 300 pessoas à bordo, sob sua responsabilidade. Mas, talvez, gostasse mais de pensar que elas estavam sob seu domínio. Tinha uma vovó que recrutava crianças para ele, a começar pelas suas 3 netas, as quais negociava com ele. Com seu rostinho angelical, ele se aproximava de mães e avós, ganhava a confiança e abria o acesso às crianças, filhas e netas delas. Uma Franquia do esquema Epstein. Um pouco mais modesta no alcance, mas o mesmo modus operandi.
Não precisamos de novas leis, atrativo para restar legisladores como reserva eleitoral. Vazio. Precisamos pensar a linha transgressora que corre em nossas veias, a tendência acentuada de identificação com o agressor. Se pensarmos que vivemos em líquido de benesses de transgressores de toda ordem, dos pequenos delitos até os grandes crimes, o que abre portas e janelas para crimes hediondos , um pai que assassina os dois filhos para matar a maternidade da mãe, e que ainda assim, consegue aliados, consegue engrossar sua voz dissimulada, em explícita crueldade.
Feminicídio, Infanticídio, o Indígena, e o "Orelha", quem são os homens que matam vulneráveis.
Feminicídio, Infanticídio, o Indígena, e o “Orelha”, quem são os Homens que matam vulneráveis.
Parte I
Galdino Pataxó. Era 1997. O Indígena queimado vivo num banco de parque em Brasília. A pouca distância do Centro da Capital Brasileira, das Instituições do Governo Federal. Galdino dormia no banco. Cinco adolescentes jogaram gasolina sobre ele e riscaram o fósforo. Chegou ao hospital com grande dificuldade respiratória e extensas e profundas queimaduras pelo corpo. Não aguentou, veio a óbito. Ainda lembramos?
O assassinato de Galdino Pataxó foi operado por um grupo de 5 adolescentes, filhos de pessoas “influentes” em Brasília. Não pode ser considerado um impulso incontrolável. Afinal, foi necessário ir até um posto de gasolina e arrumar um recipiente cheio do combustível. O banco onde Galdino estava dormindo não ficava na calçada do Posto. Ou seja, houve um tempo entre a ideia e a sua execução, tempo este que permitiria o recuo de ideia tão macabra. Mas, foram se muniram dos itens necessários, e voltaram para realizar o assassinato cruel.
Acompanhamos o caso de Ângela Diniz em 1976, em Arraial do Cabo, RJ, quando o advogado famoso do assassino, lançou o argumento da legítima defesa da honra, pintando Ângela como louca e depravada, uma prostituta de luxo, afirmando inclusive que ela queria e pedia para morrer e que o assassino, seu marido, só teria atendido ao pedido dela. Um homem amoroso, dedicado, que atendeu ao pedido da mulher lhe dando 4 tiros, um favor, desfigurando-a, como é de praxe. Não basta só matar, tem que exterminar a identidade, destruir a cara.
Mais recentemente tivemos uma psicóloga, dita “perita”, que afirmou que a mulher era a culpada pelo seu assassinato porque teria praticado a falácia de alienação parental, então o pobre homem “perdeu a cabeça”. Ela foi morta pelo marido, na frente do filho por ser uma “alienadora”. Não soube da entrada da pena de morte, motivo alienação, no Código Penal. No entanto, temos agora uma lei bizarra que pretende obrigar a ter afeto. Quem não amar seu filho, mesmo pagando certinho a pensão alimentícia, será punido, multado por “falta de afeto”. Será que a justiça pensa que vai controlar com presença um sentimento? E qual será o uso dessa lei pelos pais perniciosos e abusadores, claro que usarão para pleitear a convivência mesmo que os atos de lascívia estejam postos. A convivência passa a ser obrigatória.
E, será que os agentes judiciários acreditam que obrigar a conviver vai levar ao amor? Presumo que sim, porque isso já acontece pelo lado da criança. Obrigar uma criança a conviver, a ficar na casa de alguém de quem ela tem medo, pavor, por 2 dias seguidos e metade das férias, para esquecer o que relatou de sofrimento, parece-me, no mínimo, uma ingenuidade que não cabe nesse nível, para não levantar lebres mais descabidas ainda.
Por conta dessa autoimagem de autoridade que será obedecida, a justiça já entregou muitas crianças que foram a óbito em mãos de seus genitores. Joanna, Bernardo, Isabella, Henry, os irmãos Mariah e Lucas, e tantos outros. Na semana passada o Manoel, 2 anos, foi jogado contra a parede, como uma bola de basquete, e depois esfaqueado até a morte, pelo genitor.
A lista é longa, muito longa. A explosão de Feminicídios vem de par com o endurecimento da dosimetria correspondente. Passou de 30 para 40 anos de reclusão, a maior pena. E aumentou em escala geométrica o número de casos. Não só a quantidade, mas a qualidade da crueldade cresceu enormemente. Viviane, Juíza de Direito, morta com 16 facadas em frente às 3 filhas na véspera de Natal de 2021, se não estou enganada. Renata, desaparecida, enterrada e cimentada no chão da casa. Dayane, enforcamento mecânico nas mãos de seu assassino, contra quem tinha feito 12 Boletins de Ocorrência, inclusive de lesão corporal. Foi 12 vezes à delegacia. Laina, seu marido assassino a matou com mais de 15 marteladas na cabeça, em espetáculo exibido na varanda, de andar baixo, aberta da casa, assistido por plateia formada por vários vizinhos e por suas duas filhas. A mais velha ainda tentou defender a mãe, mas também foi agredida pelo assassino seu pai, e foi retirada pelos vizinhos.
Há algumas semanas, o homem que deu 60 socos na cabeça e rosto da namorada. O outro que arrastou a ex-namorada com o carro, destroçando, completamente, seu corpo. Etc., etc, etc,.
A violência vem contaminando adolescentes. Um grupo deles matou uma colega no banheiro da escola porque ela tinha negado “ficar” com um colega. Golpes. Um jovem adulto, por conta de uma “brincadeira” de cuspir chiclete num outro adolescente, entrou em luta corporal e acabou por destruir metade do crânio do menor.
E o Orelha. O cachorro que foi torturado ao ponto de ter que ser eutanasiado. A suspeita da autoria recai sobre um grupo de adolescentes. A indignação com o sofrimento do cachorro inundou o país. Movimentos se formaram, multidões foram às ruas nas grandes cidades, as falas de revolta ecoaram, algumas expressando desejo de vingança, com igual violência. Precisamos agradecer ao simpático cãozinho comunitário, foi ele que despertou um número muito significativo de pessoas de todos os lados, e de todas as cores políticas, coisa tão rara. A vulnerabilidade foi sentida, sim, sentida em sua dimensão de impotência contra um ataque de violência de um agressor que busca Poder absoluto.
Talvez nunca fique provada a autoria da tortura infringida ao Orelha. Já há sinais de mais essa impotência. Mas fomos todos acordados. Urge conseguir outras indignações contra assassinos de Orelhas-Mulheres, Orelhas-Crianças, Orelhas-Trans, Orelhas-LGBTQIAPN+, Orelhas-Bebês. Vulneráveis são o alvo de fracos, para chegar ao gozo do Poder. Precisamos retornar ao caminho da humanização, sem ingenuidade. Obrigada Orelha. Desculpa o sofrimento que nós, por ação ou omissão, lhe impusemos.
Ausência de caráter não é doença mental. Doentes mentais sofrem. Perversos, não.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
As aparências enganam. Outro Serial Estuprador.
As Aparências Enganam. Outro Serial Estuprador.
Parte I
Outro Professor. Outra aparência ilibada. Outro que usava da prerrogativa de ser Representante. Neste caso, não de uma classe profissional como o do Instituto Nacional que “defende” Direito de Família, mas como Representante do Povo, Vereador há mais de 20 anos. Outro Estuprador em Série. Pelo menos 12 crianças vinham sendo estupradas por ele, que se entregou à polícia e foi preso. Não sabemos por quanto tempo, porque há um entendimento jurídico corrente que se o criminoso tem uma ficha limpa, tem endereço fixo, não oferece perigo. Não oferece perigo para quem? e foi esse o entendimento da magistrada, ele está solto, respondendo em liberdade., com total possibilidade de intimidar sua vítimas. Só não vê essa possibilidade, quem proferiu a decisão. Nenhuma vítima foi consultada sobre o medo que teriam com esse relaxamento. Afinal, os juízes e as juízas têm certeza de que são obedecidos pelos criminosos.
Dessa vez, o da semana, foi um piloto de aviação comercial, pacato senhorzinho, de aparência agradável, acima de qualquer suspeita. alguém que tem sob seu comando um avião com 200 ou 300 pessoas à bordo, sob sua responsabilidade. Mas, talvez, gostasse mais de pensar que elas estavam sob seu domínio. Tinha uma vovó que recrutava crianças para ele, a começar pelas suas 3 netas, as quais negociava com ele. Com seu rostinho angelical, ele se aproximava de mães e avós, ganhava a confiança e abria o acesso às crianças, filhas e netas delas.
Urge pensar que parecer uma pessoa acima de qualquer suspeita não é suficiente para inverter as posições de vítima e algoz, principalmente, quando se trata de uma relação assimétrica onde a autoridade e o afeto fazem parte da dupla em questão, e recaem sobre o adulto. Ser professor, ser médico, ser advogado, ser empresário, ser famoso, ser piloto de avião, não garante ser correto. Aqueles que têm defeito de caráter, ou não têm caráter, também se tornam professores, médicos, parlamentares, etc. E, posso dizer, que com facilidade porque não sofrem emocionalmente, não têm conflitos éticos ou morais, o que desobstrui bastante os caminhos. E por isso, por essa facilidade sedutora e manipuladora, inescrupulosa, galgam postos superiores para obter a confiança dos adultos do entorno dos vulneráveis. Essa subida está intrínseca ao exercício do Poder, seu único objetivo. Até chegar ao seu Olimpo, o Prazer do Poder Absoluto contra um frágil, escravizando-o.
Intrigante é verificar a quantidade de mulheres que se alinham aos predadores, inocentando-os. São advogadas, promotoras de justiça, juízas, psicólogas, assistentes sociais, e várias vezes também mulheres da família da criança estuprada. Mães que não acreditam no pedido desesperado de ajuda que o filho ou filha lhe fazem. Essa situação de negação da ocorrência do abuso sexual pela mãe da criança que relata com pormenores tem diminuído em relação ao tempo em que quase nenhuma dava crédito à Voz que pedia socorro. Muitas vezes decorrente de dependência financeira ou emocional da mãe em relação ao genitor. Com a profissionalização da mulher, aquela frase que cheguei a ouvir há algumas décadas, “não posso doutora, vou proteger um e deixar 4 com fome?”,
De tentativa em tentativa temos conquistado uma boa legislação. O ECA e a Lei Maria da Penha incomodam e vivem sob ataques permanentes porque desenharam um contorno de Direitos Humanos de Crianças, Adolescentes e Mulheres. Mas o contorno não foi suficiente. Haja vista a ausência de implementação de uma Cultura de Respeito a Direitos de Vulneráveis. A Misoginia contamina um grande número de homens e, relativamente, um enorme número de mulheres. Talvez pudéssemos buscar uma compreensão na Tese da Espiral de Silêncio, proposta por Elisabeth Noelle-Neumann, que acomete as pessoas em situação de minoria, quando a ameaça da crítica e do isolamento faz calar. As desculpas são, frequentemente, assentadas no escapismo, numa espécie de economia para não se aborrecer, tornando a não verbalização de seu pensamento ou opinião omisso, dando um aval para a maioria.
Talvez possamos pensar que essas mulheres que circundam e as mulheres que decidem as vidas das minorias fragilizadas sejam contaminadas pelo Poder da voz e da postura testosterona que impera. Também nesse caldeirão da Misoginia podemos pensar que a Identificação com o Agressor, Mecanismo de Defesa do Ego, é também uma via de escape para se aliar ao Poderoso e não sentir, por identificação também, o medo e a impotência da mãe e da criança em situação de violência.
Muitas vezes me pego de queixo caído diante de decisões que parecem sair da boca de um predador cruel, e são decisões, construídas por várias mulheres na escala de uma vara de família, e que vão constituir uma sentença judicial.
Confesso que sei que de quase nada adiantam esses artigos aqui escritos e publicados. Mas vou continuar escrevendo a obviedade da crueldade que vem sendo cometida por uns, autores, que contam com a complacência social, e pelos outros que fazer questão de distorcer teorias e montar um mosaico com fragmentos manipulados, para justificar o injustificável. Parece que tudo em nome de uma ilusão de Poder testicular.
Quando vamos nos humanizar? Quando vamos deixar de gozar com a morte psicológica ou física de crianças e mulheres, acobertando predadores cruéis?
As franquias de Epstein Parte I
As Franquias de Epstein.
Parte I
Estamos inundados de Epstein. Parece que caí nas Cataratas do Iguaçu, que nos dão a certeza que a água não vai acabar nunca, e não vamos mais nos livrar dela. Talvez a imagem tenha um que de exagero, mas é como eu me sinto. Confesso que tenho dificuldade de imaginar 3 milhões de documentos de onde saem números enormes, os menores em milhares.
O mais assombroso é que, parece, parece, que tem mais 3 milhões de documentos que estariam censurados por algum critério, o primeiro que surge é que seriam piores os horrores. Será? Talvez seja porque contém nomes que ainda não foram negociados, devidamente. Ou mesmo que sejam coisas mais horripilantes ainda. Evidente que, na ilusão de que somos uma civilização, existe uma intensidade de crueldade que não imaginávamos.
Também ilusão pensar que, uma vez que tenhamos o conhecimento, vamos resolver a pornografia de crianças e adolescentes, que conhecendo os pedocriminosos vamos puni-los, e até acabar com a pedofilia. Sonhar é livre. Estamos adentrando nas trevas. E descobrimos que são 150 tons de sombras, ou 150 mil tons de sombras. Estamos nos consolando com esses sonhos de consertar o que é muito maior do que o que estamos vendo.
Antes de tudo, é indispensável que estudemos a situação para buscar uma possibilidade de enfrentar essa Organização Criminosa Internacional e, Transgeracional. Esta avalanche de barbárie é, antes de tudo, uma demonstração de Poder. Os Poderosos estão nos dando um recado sobre seu Poderio. Continuamos submetidos aos donos do mundo. Não é para consertar, é para mostrar a força. Uma força que esmaga e efetiva a cremação de humanicidade. E precisamos ter muito cuidado nessa hora. Confesso que não sei por onde começar dentro de mim. Não vou regar e adubar um pé de ódio por um monstro, achando que vai dar frutos. Não há um monstro.
De repente, não mais que de repente, desenharam-se franquias de Epstein pelo mundo, e, em nosso território. Um professor de Direito, que já até esquecemos, mecanismo de defesa do ego, um serial estuprador que foi notificado por 24 vítimas. As vítimas que se sentiram encorajadas a prestar denúncia. Não temos ideia de quantas meninas foram violentadas por ele. Assim como não vamos ter conhecimento de todas as crianças, meninas e meninos, e adolescentes que os homens poderosos estupraram e assassinaram. Bebês também. A indubitável coincidência do similar modus operandi de Epstein e do Professor de direito que vitimava suas alunas: seduzia, dopava, estuprava com crueldade e filmava tudo.
O intrigante é que o professor e, no flagrante, presidente de Instituto de Defesa de família, está livre, leve e solto. Foi fotografado, sorridente, em evento que o homenageou, sim, o homenageou, há poucos dias. Feliz.
Não é para menos. O juiz que relaxou sua prisão pedida, justificou que ele não oferecia risco. Não oferecia risco??? Afinal, tem endereço fixo, é réu primário, e o juiz tem certeza que ele vai se comportar bem respondendo o processo que mutilou a mente e os corpos de várias meninas. Se, as meninas violentadas por esse professor eram ameaçadas para que mantivessem total silêncio sobre as barbaridades que ele praticava, o Senhor Juiz acredita mesmo que o “suspeito”, ele, não ameaça mais porque o juiz falou que isso é errado?
É admirável o autoconvencimento de alguns magistrados. Com todo respeito. Uma criança de 6 anos, é torturada e amarrada à uma cadeira pelo genitor, divulga o registro, tem a convivência diminuída, mas a sentença segue em sentido contrário e garante a ampliação dessa convivência: “fez, mas não vai mais fazer, não tem nenhum risco.” Onde fica guardada a garantia da não repetição de uma violação dessa monta?
Não consigo compreender o novo significado do termo “risco”. Quando constato que um enorme número de feminicidas tinham essa justificativa nos seus processos. Alguns que, inclusive, já tinham cometido crimes anteriores de violência doméstica, e mesmo assassinato. Se o crime é contra a criança, prevalece uma crença de que a convivência com o genitor agressor ou não, é indispensável, e a criança é forçada a estar com esse genitor, acompanhada ou sozinha, para ficar por horas e até pernoitar com seu algoz. E o “risco”, é só uma ilação? Talvez um exagero. Mas, onde acomodar os crimes cometidos sob essa garantia aludida?
Crianças vão afundando no desespero. Seus relatos, Exames de Corpo de Delito, fotos e vídeos, o visível e inegável tormento emocional, com somatizações, perdem o status de fato comprovável e são interpretados, sempre tendo como inspiração o sentido psicanalítico. Essa inspiração foi deslocada porque ela só cabe no processo de tratamento psicanalítico. É muito atraente descobrir o recalcado, o simbólico, o fantasmado. Mas essa é uma função do psicanalista no exercício laboral específico. Não deve ser usado como método por pessoas que não estão prestando serviço de tratamento psicológico.
Esse uso inadvertido dessa metodologia, não passa incólume pela criança que está se machucando para relatar, e reviver, as dores dos traumas sofridos ao ser submetida aos atos de lascívia e de violência física. Sentir que não é escutado nos fatos que sofreu, empurra a criança para um desespero insuportável. A Ideação Suicida começa a ser insistente, “ninguém me escuta, não quero ficar com ele, nem ver ele, o juiz me obriga, então vou me matar”. Estamos correndo graves riscos, no significado do dicionário, que têm sido feitos tentativas. Enquanto crianças, as tentativas não têm resultado morte, pela incapacidade de calcular bem a ideação. Mas erros de cálculo podem ocorrer. O desespero é um combustível perigoso. E, convivência forçada é tortura velada.
No entanto, urge nosso cuidado com a dor em desespero pela desqualificação da palavra da criança, a vítima negligenciada por todos nós. A Ideação Suicida de Crianças é um grave problema, olhado por operadores de justiça, por vezes, com desdém da criança e deboche dirigido ao profissional que faz o alerta.
A impressão que fica é a da impunidade, do tudo pode, do desamparo de vulneráveis, de uma justiça que existe, apenas, para parte da população. As Franquias de Epstein estão por toda parte.
Alienação parental, mentiras e lobby eficiente. Parte III
Alienação parental, mentiras e lobby eficiente.
Parte III
Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Governo Nazista Hitler, de 1933 a 1945, afirmava que uma mentira dita e repetida mais de 100 vezes, se torna verdade. Goebbels manipulava dados para favorecer o Regime e desenhar, com cores mais fortes, os grupos de humanos que ele elegeu como perseguidores a serem eliminados em nome da supremacia ariana, promovia fogueiras de livros censurados por ele como subversivos. Livros ao fogo. E água, as mentiras repetidas mais de 100 vezes, para lavar o cérebro.
Essa “Estratégia Goebbels” da mentira que é travestida em verdade, sem comprometimento com a Ciência ou o Bom Senso da Realidade, é o modus operandi utilizado pelos acobertadores dos pedocriminosos. É operando essa estratégia que foi criada uma mentira que atribui periculosidade a todas as mães que denunciam abusos intrafamiliares contra crianças. Essa mentira ganhou o nome de alienação parental e a penalidade máxima, a Privação Materna Judicial, é inerente ao termo.
Faz-se necessário entender que o término de um casamento/relacionamento amoroso produz uma frustração, uma sensação de perda, por vezes uma sensação de fracasso, por vezes uma sensação de raiva dos erros cometidos que são sempre atribuídos ao outro. É como no luto por uma pessoa querida. Eram projetos a dois, era um objetivo de família, era uma arquitetura de vida comum, que se desconstrói. É esperado que haja um combo de sentimentos e emoções, acrescido pelo trabalhão de reorganizar a logística das crianças, e da casa.
Portanto, por mais bem decididos que os dois estejam, é penoso. E a frustração, muitas vezes se aproxima da raiva, e a busca por um “culpado” passa a acontecer. Mas, como nos afirma a Dra. Clara Sottomayor, Juíza na Corte Constitucional de Portugal, em seu livro sobre os Direitos das Crianças, este é um momento típico do luto, que se arranjará à medida que as pessoas se reorganizem e refaçam suas vidas. A emboscada de travestir esse momento transitório em judicialização com ataque à mulher que é interrompida pela mentira em sua maternidade.
Curioso observar que esses processos começam pela reação à denúncia de comportamentos inadequados do genitor que, por isso, como retaliação, acusa a mãe de estar praticando atos de alienação. Mas, essa mesma dita alienação, passa a ser executada pela justiça. Não pode alienar o pai, mas tem que alienar a mãe. Alguém pode me explicar essa lógica? Aliás, tem lógica? Não pode ter o pai afastado por ter cometido pedocrimes, mas pode afastar a mãe por ter tentado buscar a Proteção Integral da Criança, cumprindo a Lei.
Há sempre uma voz que diz: “mas eu conheço uma mãe que é alienadora, maluca, e faz maldade com o ex.” Evidente que existem sim mulheres, como existem homens, que mentem, que inventam, que nutrem a raiva transformando-a em ódio. Sim, os números de Feminicídio são a maior e mais cabal prova de que existem pessoas que são imaturas, e pessoas que são perversas. Mas daí a passar a desqualificar, preconceituosamente, todas as mães e todas as crianças que buscam que a lei seja cumprida e o Direito da Criança seja garantido, existe uma incompatibilidade intransponível.
Esse malabarismo ainda implica em lançar outra mentira: as falsas memórias. Não há escrúpulo em afirmar o impossível. Uma criança de 3, de 5, de 8 anos não é capaz de decorar um texto inacessível pelo seu desenvolvimento cognitivo, texto que descreve cheiro, gosto, detalhes inalcançados ainda pela cognição e conhecimento, e ainda desenhar e encenar, espontaneamente, os atos de lascívia a que foi submetida. Ninguém conseguiria introduzir uma situação traumática dessa ordem e obter o resultado da criança repetir por anos o relato das mesmas situações vividas. A criança até os 11/12 anos só funciona em raciocínio concreto, sua memorização opera por experiência, nunca por palavras que não fazem parte de seu mundo.
Mas, não há constrangimento em atacar a criança com esse tipo de acusação, sem se compadecer com sua dor ao ver o que o estuprador já lhe havia anunciado: ninguém vai acreditar em você. Desacreditada e cansada, ela acaba por desistir, e cai num segundo trauma. Ela se vê obrigada a se retratar da verdade que lhe aconteceu. Ou seja, ela se pega negando o que sofreu, passando a exercer a autoacusação de que não sua palavra não é confiável. É um momento enlouquecedor que inaugura a permanência na dúvida entre o real e a mentira.
Com o forte movimento pela Revogação dessa lei emboscada, desastrosa, o lobby eficiente que defende os genitores agressores, apressou-se em passar uma “lei do afeto”. Como se a justiça fosse ter capacidade de obrigar um pai a gostar do filho, ela se lança em terreno que abre uma avenida para a obrigação de convivência que será reivindicada, claro, pelos genitores agressores. Haja ardil.
O mais assustador é que essa capilaridade garante o sistema que faz parte, como já falei várias vezes, da Organização Criminosa Internacional. Rasgaram um pedacinho da cortina. Estamos enojados e indignados. Sinto muito, mas já vivíamos nessa ausência de caráter. Precisamos reconhecer que não temos um sistema de justiça justa, eficiente e permanente que proteja vulneráveis para que não se tornem vítimas. Estamos muito atrasados na construção de uma humanicidade.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Feminicídios em explosão, quem autoriza? Parte I
Feminicídios em explosão, quem autoriza?
Parte I
Nós. Toda a sociedade autoriza e se dobra à Misoginia, o preconceito de base, o preconceito estrutural, por ação ou omissão, e, entre a ação e a omissão, existe a ação camuflada de cegueira. Aliás, já escrevemos sobre a “cegueira deliberada” nas Varas de Família, apontada há mais de 15 anos por Desembargadora que em seu Artigo “Incesto e o Mito da família feliz”, na pág. 176, “a cegueira da Justiça”’, de seu livro Incesto e Alienação parental – Realidades que a Justiça insiste em não ver, onde ela também discorre em subtítulos sobre “a lei do silêncio”, “a face oculta do incesto”, “a farsa da alienação parental”, temas muito bem abordados pela autora. Sei que vão estranhar a descoberta da posição do pensamento exposto à época, que pulou para o lado oposto do terreno. Sempre recebo observações me perguntando se não estou enganada. Esta é uma questão que guardo uma grande curiosidade, eu também. Um interessante ponto a ser estudado. Precisamos saber se esse tipo de mudança, por exemplo, induz o judiciário a seguir na “cegueira” como está afirmado no livro, onde é acrescentado que “a Justiça acaba sendo conivente com o infrator, culpabilizando a vítima”, Pág. 176. Afirma ainda a autora que a justiça, não aceitando a voz da criança em fragmentos “coerentes com as situações e os comportamentos envolvidos, legitima o incesto. A impunidade reforça a invisibilidade do incesto, chegando a legalizá-lo.”
Estamos falando de violência sexual de criança porque ela faz parte do tipo de Feminicídio Continuado. Manter, ininterruptamente, uma mulher sob forte pressão, usando uma lei que foi inventada para defender genitores acusados de pedofilia, sem respaldo científico nenhum, é uma forma torturante de Feminicídio lento e invisibilizado. Essa era uma das torturas experimentadas nos laboratórios humanos, desenvolvidos pelos nazistas, para medir a capacidade da mãe aguentar a privação de seu filho que lhe era retirado, similar à inversão de guarda por “busca e apreensão”, atual e legalizada, em episódio traumático, porquanto a criança sai “presa” no colo de um policial armado.
Não há nenhuma dúvida que esta prática judicial é traumática para a criança. Repercutindo, evidentemente, na mãe, que, por vezes, recebem respingos da truculência que age contra seu desespero ao ver a criança, muitas vezes, muito pequena, em lactação, mas nada é suficiente para deter o ódio que alimenta esse procedimento.
Não se sabe nada sobre essas crianças. A omissão do Estado, outro subtítulo também do citado livro, não acompanha a criança nesse período de pós trauma severo. Afinal, todos sabemos das sequelas da Privação Materna que causa severos quadros psicopatológicos, amplamente estudados pela Psicologia. Não há nenhum Protocolo a ser seguido, nenhum acompanhamento psicossocial, nenhuma avaliação psiquiátrica da criança. Não se tem notícia nenhuma de seu comportamento, de comorbidades, de seu desempenho escolar, de seu desenvolvimento. Nada.
É como se fosse consagrado: está com o pai, então pronto. Não se conhece os efeitos da falta total da mãe, imposta judicialmente, e nem da convivência com o genitor, na maioria dos casos suspeito de estupro de vulnerável. A justificação é sempre que os comportamentos lascivos não restauram provados. Claro. Esse é um crime quase perfeito. Os estupradores não deixam rastro, são meticulosos. Mas crime não provado não é afirmação de inocência. Pode ser metodologia com fragilidade ou pode ser devido à grande competência do autor.
Assim também, todo esse sofrimento da mãe, este podemos ver porque temos acesso, diferente da criança que passa a se sentir, completamente, desamparada, vai operando um Feminicídio Continuado. E quando a mãe morre, no atestado de óbito está escrito AVC, ou infarte, ou uma neoplasia fulminante, por exemplo, mascarando a real causa. A despeito da tortura dos nazistas, nem todos os organismos aguentam por 10, 15, 20 anos viver sob o medo, o insulto, e o terror, contínuos.
No próximo artigo, abordaremos um outro tipo de Feminicídio, igualmente devastador. A Maternidade concentra um ímã de ódio que aumenta as estatísticas. Com tiros, faca, fogo, socos e pontapés, jogar pela janela do 10º andar, com machadinha, pela ferragem do carro arrastando o atropelamento, as formas estão cada vez mais cruéis. Não basta desfigurar o rosto, é preciso desfigurar o corpo todo.
A consagrada impunidade desidrata as leis vigentes. Lei tem, mas... Um homem espanca e mata sua namorada, a coloca no carro e vai até a delegacia. Apresenta-se ao delegado que ouve sua confissão e o libera. Mas ao chegar no seu carro, lembra do corpo da moça. Sem hesitar, retira-o e deixa-o na calçada da delegacia. E, sem ser incomodado, vai para casa.
Não é roteiro de filme de terror. É terror na vida real.
Alienação Parental, mentiras e o lobby eficiente. Parte I
Alienação Parental, mentiras e o lobby eficiente.
Parte I
Há algumas semanas, me deparei com mais um artigo, sobre alienação parental, pleno de erros, desinformações, de Sofismas que se assemelhavam ao clássico exemplo do be-a-bá das primeiras noções do estudo da Filosofia: “ursos são animais, ursa maior é uma constelação de estrelas, logo, ursos são estrelas”. Era um Editorial de um Jornal de grande circulação. O artigo que traz o posicionamento de um veículo de comunicação no país. E me perguntei, mais uma vez: por que a mentira, as mentiras são tão facilmente espalhadas? A desinformação que nega todas as numerosas informações científicas e clínicas, robustas, com comprovação, e de acesso explícito, podem ser chamadas de mentiras estratégicas.
A pergunta seguinte se refere ao serviço prestado pelas mentiras em pauta. A quem servem? A mentira, por exemplo, de que se for revogada a lei 12.318/2010, as crianças ficarão sem proteção, parece estar pendurada num fio de teia de aranha. Essa lei protege, como explicitou o inventor do termo alienação parental, que nunca foi reconhecido pelas Associações Científicas, nem pela OMS, o agressor. Foi esse o objetivo do médico generalista, e também pedófilo, Gardner, quando inventou esse termo, e instruiu os genitores acusador de abusos sexuais. Isto é comprovado na leitura de seu livro “True and falses accusations of child Sex abuses”. Ele escreveu: “as atividades sexuais entre adultos e crianças fazem parte do repertório natural da sexualidade humana, são benéficas para a criança pois a tornam sexualizada e a fazem ansiar pelas experiências sexuais da procriação, garantindo a preservação da espécie”. Ele escreve que não é o abuso sexual praticado pelo pai que traumatiza a criança, é a resposta draconiana da sociedade, é a não aceitação dessas praticas que causa trauma. E aqui ele culpa a mãe, porque ela não “cumpriu” devidamente suas obrigações conjugais com o marido e porque ela reagiu de “maneira histérica” à violação da criança pelo genitor. Como afirma, citado acima, o estupro incestuoso é natural no repertório da sexualidade humana.
Este livro, como os outros, são recheados de proclamação de aberrações, todas na direção da naturalização do incesto. Ele aconselha os terapeutas de mães de crianças abusadas a estimularem a masturbação nelas mesmas, com o uso de vibradores, para que se tornem mais sexualizadas e possam atrair de volta o marido que passou a usar a filha ou filho. É categórico em afirmar que o abusador não deve ser afastado de casa, que ele precisa ser bem acolhido, porque esse comportamento é normal. E ainda sugere que as crianças abusadas por seus pais devem assistir a filmes, o termo da época era vídeo cassete, de outras crianças sendo abusadas ou registro delas mesmas para que se acostumem e entendam que é normal o que os genitores fazem com suas crianças. Criança e psicólogo sentados assistindo videocassetes de barbaridades, para esse senhor, seria terapêutico.
Gardner era próximo de Kinsey, que inventou a Escala da sexualidade da criança, que permitia medir a curva de orgasmos diários que uma criança pode ter. O laboratório humano composto por órfãos da guerra lhe fornecia a possibilidade de contar o que chamou de orgasmo na infância. Evidentemente, está lá na escala, que os 7 orgasmos diários de um bebê de 8 meses, por exemplo, eram resultado de manipulação de seus órgãos genitais, obtidos por um adulto, um técnico de laboratório, como devia ser identificado. E todos os dias aquelas crianças, de meses, de 2 anos, 3, 4, 6, 7 anos, (acho que a amostra era de zero a 7 anos), eram aferidos em seus “orgasmos”. Kinsey parece ter fornecido a convicção do gozo sexual na infância para Gardner, que defende a naturalização do abuso sexual intrafamiliar.
Será que o veículo que defendeu a permanência da lei de alienação parental buscou o acesso a essas informações registradas em livros. Não é opinião, não é disputa de guarda, alcunha também errada, é uma lei emboscada que protege o adulto agressor. Gardner emitiu mais de 400 laudos inocentando pais abusadores com o que ele instruiu: pai acusado de abuso sexual tem que girar o holofote para a mãe. E assim, vai se safar da acusação.
O mais cruel e enlouquecido é que vai sendo efetivada a legalização do estupro de vulnerável, termo técnico jurídico para todo e qualquer ato de lascívia. O abuso incestuoso é evaporado pela fraudulenta reativa de um pobre pai que está sendo alienado, impedido de conviver com o filho ou filha. Então, com nos ursos que viram estrelas, a justiça se encarrega de alienar a mãe que ganha uma tarja de louca, ressentida, rancorosa, a alienadora é alienada, legalmente. Interessante, não? Afastar o pai porque ele está abusando do filho ou filha, não pode. Vai ser impossível a criança se desenvolver sem aquele pai. Mas fazer desaparecer a mãe para a criança, isso pode, e não faz nem um malzinho. A justiça entrega a criança abusada a seu abusador. Afinal a mãe é alienadora, coisa que nem existe cientificamente. Isso não tem nenhum problema? Se o crime de estupro de vulnerável é um crime quase perfeito, não deixa rastros, com a ajudinha da “lei”, a falsa acusação de prática de alienação prescinde de provas, basta a voz grossa afirmar. Mulheres são todas loucas. E diante de uma lei testosterona, nunca mais ela deixa de ser considerada alienadora. Nunca.
A criança vai ser massacrada até deixar de relatar os abusos. São infinitos “estudos”, praticando a revitimização continuada. À exaustão. O ECA, que garante a Proteção Integral da Criança é desprezado. Uma lei que é inspiração para inúmeros países, considerada primorosa, não vale nada quando entra a supremacia da lei de alienação parental para acobertar crimes contra o corpo e a mente da criança. Assim, o ECA, assim como a Lei Maria da Penha, outro exemplar de qualidade invejável, leis brilhantes que vêm sendo desidratadas. Ambas, leis de Proteção de Vulneráveis. Ambas, leis que abraçam a Maternidade. Coincidência?
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