terça-feira, 17 de março de 2026

Epstein em Franquias e a modalidade de Estupro Coletivo.

Epstein em Franquias e a modalidade de Estupro Coletivo. Os Documentos de Epstein que estavam ocupando, quase totalmente, o espaço midiático, foi derrubado por uma guerra precipitada pela premência de escancaramento do envolvimento de uma figura que usa a paleta alaranjada no cabelo e na pele, e que aparecia em milhares de fotos, vídeos, e comunicações com Epstein, o Rei da Ilha da Orgia, com crianças e adolescentes, meninas e meninos. Mas esse protagonista que abriu várias frentes, atropelou o explosivo monte de documentos, tenebrosamente, horripilantes, parece que, encurralado pelas evidências dos crimes cometidos com estupros múltiplos de crianças, deflagra uma guerra de grandes proporções e consequências imprevisíveis. Esse, aliás, é o traço predominante de seu perfil: o desprezo pelo outro em todas as condições que se apresentem. Traço esse que é inerente aos predadores sexuais. A obsessão pelo Poder infinito é tão explícita e tão inegável quanto sua cor do rosto e cor do cabelo. Mas é, inegavelmente, exímio na compra e venda. Se começou e cresceu usando coisas inanimadas, hoje reina comprando e vendendo vidas humanas. Epstein também era expert na comercialização de corpos de crianças, vivos ou mortos, transformando-os em moeda que lhe permitiu acumular aos milhões e milhões. O apelo à barbárie oferecida à casta mais Poderosa, fosse no seleto mundo financeiro, ou no mundo das cúpulas da Política, ou das celebridades midiáticas, de tal maneira amarrada, que o grupo restava refém dos registros de áudio e vídeo, armas das chantagens. Uma engrenagem sofisticada, mas ao mesmo tempo de uma simplicidade desconfortável. Uma isca podre, mas dourada era o suficiente para encarcerar. Essa isca era raríssima pela sua perversidade, um ímã perfeito para pessoas sem caráter. Lembrando que a perversão é infinita, mesmo. Mas a guerra veio, implacável. E os escombros tomaram todos os espaços. Os mortos, os feridos. As crianças perdidas, em vulnerabilidade extrema, presas fáceis para alimentar os reservatórios dos pequenos escravos sexuais internacionais. O tráfico internacional de pessoas, bebês, crianças, adolescentes, e jovens adultos, nunca ficou tão escancarado como agora. Lamentável que, como o conteúdo horrendo da mais recente guerra, todas essas barbaridades entrarão em estado de hibernação, logo, logo. O caso de Dominique Pelicot, o marido francês que explorou sexualmente sua esposa por mais de 10 anos, dopando-a com anestésicos, e compartilhando-a com uma lista de 83 homens, que estupravam a sua carcaça, sob o olhar, o registro em vídeo, e a administração da “check list” de homens, de 20 a 55 anos, tudo por decisão sua, dentro do quarto e da cama do casal, já sumiu na poeira dos ventos. É um caso horripilante! Difícil imaginar como Dominique conseguia conciliar e costurar esse câncer mental à sua mente social, gentil, responsável, atenciosa. Temos tendência a pensar que são dois pedaços inconciliáveis. Penso que são sim. Talvez ajude evocar aquela ideia rasa de avaliar alguma pessoa como sendo duas caras, ou tendo dupla personalidade. Parece-me que pudéssemos pensar que são duas pessoas em um só corpo, em um permanente “splitting”, (termo técnico da psicopatologia que se refere à esquizofrenia severa), sem nenhum sistema cerebral de empatia, nem de arrependimento, nenhum sentimento de humanicidade. Vale ressaltar que, mesmo tendo similitude com um sintoma essencial de uma doença mental, a perversão, estupradores, predadores, sádicos bárbaros, não são doentes, não são tratáveis. Outra ilusão é a de determinar a castração química para abusadores de crianças. É preciso entender que esses crimes são cometidos no campo da sexualidade, mas não são sexuais para o adulto, são a busca e o exercício do Poder. E essas pessoas não têm resquício de sistema de autoavaliação, de arrependimento, de culpa. Não à toa, um dos criminosos que cometeram, com planejamento e comemoração de resultado quase morte da menina, quando se apresentou à delegacia, após o tempo de flagrante, claro, vestia uma camiseta com o lema: “arrependimento nenhum”. Esse é um princípio de grupos de ódio a mulheres, que dão instruções, inclusive, como fazer quando ela disser um não. Demonstração de golpes, pontapés e uso de faca são encenados para a formação de bárbaros que distribuem “carteirinha de identidade” com a estúpida brutalidade. A modalidade do Estupro Coletivo foi a mesma usada pelo Dominique Pelicot, por mais de uma década, usando sua esposa, a mãe de seus 3 filhos. “Família Feliz”, “família de bem”, “um homem acima de qualquer suspeita”, são, quase sempre, apenas cenografia de primitivismo sub-animal. Fomos surpreendidos pelo horror de 4 homens e 1 adolescente de 17 anos, ex ficante da menina, que estupraram uma menina de 17 anos. Foi o adolescente ex que armou a cilada para atrair a menina para um apartamento/matadouro em Copacabana, se aproveitando da confiança que ela tinha nele. Quando essa barbárie ocupou espaço no noticiário, outras meninas decidiram fazer a denúncia de seus estupros, também coletivos. E tomamos conhecimento que já aconteciam há mais de 3 anos, que aconteceram várias vezes, sempre seguindo o mesmo modus operandi, e ainda, que há plataformas na internet que ensinam essa barbárie estúpida, abertamente. Na ilusão de ser “mais macho” que os outros, esses criminosos usam o campo da sexualidade, momento que deixa a mulher, a menina, o menino, o bebê, na extrema vulnerabilidade pela discrepância da força física natural, com o objetivo de obter um gozo de Poder. É uma experiência de des-humanização, que, quanto mais absoluta, mais sensação de gozo. Por isso, não é suficiente só a penetração, é preciso espancar, causar dor intensa, deixar marcas concretas. Exibicionismo e vouyerismo, chutes, socos, fazem a performance que ganha o apelido relativo a sexo. Mas, não é.

As Franquias de Epstein, o Estupro Coletivo, a Barbárie. Parte IV

As Franquias de Epstein, o Estupro Coletivo, a Barbárie Parte IV A Juíza Vanessa Cavalieri, Da Vara da Infância e Juventude, TJRJ, se pronunciou sobre os Estupros Coletivos. Ela irá julgar o menor infrator que participou, e, parece, e arquitetou esse estupro de 31 de janeiro nesse ano, motivo que não pode falar sobre esse específico. Mas ela afirma que já julgou dez, vinte, ou mais, estupros coletivos aqui na Comarca do Rio de Janeiro. Assustador! Parece que já se estabeleceu a instalação desse comportamento, com o mesmo modus operandi que usa a confiança em um ex ou “amigo” de escola, para violentar, na surpresa, por um grupo uma menina conhecida/colega/ex namorada, com toda a brutalidade. A Juíza Vanessa Cavalieri se refere a mais de 10, mais de 20, que ela já julgou. Há referências a estupros coletivos, em repetição, de alunos de Escolas privadas também. O Crime que veio à tona ocorreu em apartamento da zona sul do Rio, área socioeconômica privilegiada. Os criminosos, 5, estudam numa Escola que atende os filhos de professores do Estado, inclusive de respeitabilidade pública, por obter ótimos resultados nos exames de acesso à Universidade. De onde não se espera, surge a barbárie. Assim também foi ao ser denunciado o Professor de Direito e Presidente de Instituto de Defesa de Família, Seção RS, por mais de 10 vítimas. Elas eram seduzidas, dopadas com anestésicos, como fez o Dominique Pelicot com sua esposa, em ambos os casos, estupros e violência física sendo tudo registrado e monetizado na internet. No crime do estupro coletivo, esse carioca, não se pode culpar os “PPPs”, (pobres, pretos, periféricos), diante desse cenário. Também os outros dois casos citados a título de exemplos, entenda-se que não são exceções raras, os dois criminosos são pessoas de inserção em camadas sócio-econômicas, e , interessante, intelectuais em níveis superiores na sociedade. Mas onde estamos falhando? Para a Juíza, a introdução precoce da pornografia via internet. Concordo que este é um elemento que interfere no desenvolvimento saudável de nossas crianças. A Regulamentação do mundo virtual foi politizada e recebeu a alcunha de “censura”, o que leva a discussão para outro campo, bastante sensível, porquanto há algumas décadas vivenciamos uma censura que levava à prisão, à tortura e à morte/desaparecimento. Não podemos deixar de pensar que há registros mnêmicos pessoais ou sociais do que é uma censura. E, como hoje, a semântica é manipulada como arma política de massa, Regulamentação é travestida, facilmente, em Censura, e os brados por “liberdade de expressão” ecoam aos quatro cantos. Como se o fosse. É, absolutamente, nociva a exposição à pornografia durante o desenvolvimento cognitivo que precisa se ajustar ao grande impulso do desenvolvimento hormonal. Não à toa, adolescentes são inundados de medo na vivência de sua sexualidade que brota em todos, uns mais, outros menos acometidos desse medo. Dá a impressão que, exatamente, aqueles que são mais atormentados por esse medo da nova fase da sexualidade, com a entrada na sexualidade adulta, esses, pela fragilidade insuportável, escorregam para o “corredor polonês”, (aquela antiga “brincadeira” agressiva, de meninos, de formar um corredor humano que bate na cabeça dos que são obrigados a passar pelo meio, sem saída de escape), ou seja, sucumbem à barbárie, e a violência física traz um pouco da ilusão da masculinidade deturpada. Não entrarei nas emoções, experimentadas pelos criminosos em clubinho, advindas dos olhares que comparavam os centímetros do órgão tornado arma contra uma menina, totalmente, indefesa. Compartilhando sêmens uns dos outros, arrisco mesmo levantar a hipótese de que o tamanho era inversamente proporcional à violência deflagrada, quanto menor, mais chutes desferiu. A impressão da Juíza Vanessa Cavalieri pela sua percepção de que aqueles criminosos repetiam performances que haviam assistido em vídeos pornográficos, é bastante plausível. Recém iniciados na sexualidade adulta, ainda sem experiência suficiente de prazer sexual por uma troca prazerosa com uma outra pessoa, aqueles criminosos entraram com uma unilateralidade no lugar da troca. Podemos aventar que, pela pouca maturidade tanto cognitiva quanto experiencial, o formato “pronto”, método “copiou/colou” em formatação imposta. Nada experimentado, nada construído, como precisava ser para a aquisição da sexualidade adulta. Diante da estúpida barbárie exibida, ainda surgem comentários que culpabilizam a vítima. Se não é o tamanho da saia, esquecendo-se que uma freira de 83 anos foi estuprada há poucos dias, e ela não estava na madrugada de um botequim, é descredibilizada quando ela diz que não consentiu. A falência, por omissão ou intenção, das Políticas de Segurança Pública “inventam” ferramentas que recaem sobre a mulher. Uma concessão especial, (uahu!!!) de portar spray de pimenta. É aconselhado que ela faça aulas de luta de defesa pessoal. E aulas de tiro para manipular as armas de fogo que deve ter. Para além da vulnerabilidade da mulher, é ela que vai ter que arcar com sua própria segurança, aliviando a Política Pública do Estado? Não bastasse o subterfúgio da “Medida Protetiva de Urgência”, que a começar pelo pedido muitas vezes negado imprimindo mais uma humilhação, e que não é respeitada. Parece que em torno de 60% dos Feminicídios vitimaram mulheres que possuíam MPU. Algumas tombaram com sua Medida na mão. Assim também lançar campanhas enormes que custaram bastante, com o objetivo de “ensinar” a criança a dizer não para os toques nos pontos de seu corpo, como se o estuprador fosse lhe atender. Quando já temos a comprovação que uma mulher adulta sofre uma paralização severa ao se dar conta que será estuprada, como podemos pretender que crianças pequenas não deixem que um adulto, na sua grande maioria, um adulto que ela ama e obedece, vai conseguir obstruir um estupro? Essas ferramentas só aliviam os que imaginaram a resolução através delas. Enquanto isso, vemos, os que surgem na mídia, agentes de justiça se comportando com falta de decência. Sob o famoso segredo de justiça, temos conhecimento de parcialidades escandalosas. Não estou generalizando, em absoluto. Há Justos na Justiça. Conheço alguns deles. Mas fazer do assédio uma prática de gabinete ou de casa de praia, não se coaduna com a função de fazer Justiça. Em franquias de Epstein, como um banqueiro ou, um Piloto, ou o Professor de Direito, e fora do Brasil, como Dominique Pelicot manteve por 10 anos, ou como pequenos Quiosques de Epstein, como nas novas confrarias de homens jovens em estupros coletivos, a barbárie se instalou, e teremos muito trabalho para desalojá-la e reestruturar o código de Ética entre nós, rasgado por nós mesmos, que terá que começar pela mudança nos valores humanos .

quinta-feira, 12 de março de 2026

Feminicídio: Homens que matam. Adolescentes que matam o cachorro Orelha. Parte I

Feminicídio: Homens que matam. Adolescentes que matam o cachorro Orelha. Parte I Onde estão os 1461 homens que, em 2025, mataram 1461 mulheres? Até para dar a notícia, os homens são poupados. Falo dos homens que assassinaram mulheres e crianças. É a vítima que compõe a notícia na voz passiva, a mulher foi morta, e não se fala “o fulano matou.” Penso que isso faz parte do combo de proteção garantida aos homens. Já nessa formulação linguística, o homem fica oculto no primeiro momento, depois ganha o prefácio de “suspeito”, mesmo que registros hajam. Na ausência desses vídeos, a palavra da mulher perde a credibilidade, e todas as dúvidas sobre ela, proliferam, levando à desqualificação de sua palavra e a rotineira desconsideração. As leis para a proteção das mulheres são leis testosterona. Onde estão os 1461 homens? O argumento é que estão sob o manto abençoado do segredo de justiça. E, se alguma mulher divulgar qualquer fragmento de seu sofrimento, quando escapou da morte, ela é punida de imediato pela justiça. E terá como elemento dessa penalização, um ponto de confirmação da interpretação falaciosa na sua avaliação jurídica. Não há processos em cima de fatos que ocorreram. Há livre interpretação dos fatos. Não é descritivo, é interpretativo. É uma busca contínua pelo que está por trás. E o que está à vista, o que está de frente é desprezado. Para preencher esse caminho interpretativo, que é pavimentado por incursões em campo pseudo psicológico, sem fundamentação científica, nem mesmo o velho e razoável bom senso. Aliás, razoabilidade é um princípio inexistente nessas narrativas que acusam mulheres de serem loucas e crianças de serem mentirosas. Estupefatos, assistimos uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que entendeu as relações sexuais entre um homem de 35 anos e uma criança de 12 anos como sendo a fundação de um “núcleo familiar”, com vínculo afetivo e tudo. Foi atropelada o Princípio, inscrito no ECA e no Código Penal, que reza que todo ato libidinoso praticado em menor de 14 anos, é Estupro de Vulnerável. Não importa se não teve agressão nessa prática, não cabe nenhum argumento de consentimento, nem da criança nem de seus pais ou responsáveis. Ou seja: menos de 14 anos é Estupro de Vulnerável. Confuso ver a justiça desobedecendo a Justiça. Mas, para nos confundir ainda mais, contamos hoje com mais de 34.000 crianças vivendo maritalmente com um adulto. Muitas entre elas, já são mães. Criança sendo esposa e sendo mãe. Enquanto isso, um pai que foi buscar a filha menor numa festa é repreendido por uma Conselheira Tutelar e conduzido à delegacia. O motivo: “nãso é assim que se educa”. De mão dada com a filha ele explica que a filha não tem idade para estar nessas festas, nem pode pegar celulares nos bolsos dos outros nem usar o que tem usado. Mas em tom ameaçador a Conselheira não escuta o cuidado do pai e reafirma que vai leva-lo para a Delegacia dizendo que ela é menina. Como se ele estivesse violando, gravemente, uma garantia de Direito da filha. Mas, como no caso da absolvição do homem que estava estuprando a menina de 12 anos, quando a Lei diz que abaixo dos 14 anos é Estupro, independente de qualquer condição, a conselheira defende o Direito da menina de 15 anos de estar em festa desacompanhada de Responsável de fazer uso de substâncias e de furtar celulares. Não havia nenhuma atitude agressiva da parte do pai. Fica confuso ver o autoritarismo da Conselheira. E o pai, perdido, defendendo o seu exercício da Função de Pai, sua responsabilidade, que fica claro, é bem aceito pela filha adolescente. No entanto, sabe-se lá de onde a Conselheira tirou a inconveniência institucional, é ela que detém o Poder, arbitrariamente. Em meio a essa desorganização promovida por agentes institucionais, somos soterrados por uma avalanche barbáries. Cenas inimagináveis rasgam nossa virgindade do infinito das perversões humanas. As violências vão das brutais, às, meticulosamente, calculadas, em grande sofisticação. E contaminam os adolescentes que outrora quebravam bancos ou lixeiras nas calçadas como atos delinquenciais, hoje aprendem em sites de sadismo como empalar um cachorro e martelar pregos em sua cabeça, sem ter um só fio de compaixão para terminar de matá-lo. E o abandonam, moribundo, entregue ao sofrimento extremo. Os dados trazidos pelos órgãos da comunicação, sobre as Organizações Criminosas Internacionais, levantaram sobremaneira o sarrafo. Depois desse festival de horrores, os atos libidinosos vão ser mais minimizados ainda, até desaparecer do campo das preocupações e cuidados. Penso que essa é uma estratégia intencional. Afinal, agora se fala em mais de 3 milhões de documentos. Em 2019 foram conhecidos 250 mil. Depoimentos de vítimas foram expostos. 2019. Nada aconteceu. E ainda, não me parece ser uma tentativa de “corrigir” um comportamento aberrante. Penso que se trata muito mais de uma ameaça velada, de uma demonstração de Poder, de Força, de Dominação.

quinta-feira, 5 de março de 2026

As Franquias de Epstein Parte III

As Franquias de Epstein. Parte III Epstein? Quem lembra de Epstein? Mas, nada mudou. Talvez um pouco para pior. Considerando a onda feroz de estupros de vulneráveis, vivemos um tempo tenebroso. O homem de 35 anos comerciante de substâncias ilícitas, estuprava a menina de 12 anos aliciada pela sua mãe em pagamento de uma cesta básica e umas cervejas com ele no bar. Outra menina de 12 anos também. Uma idosa que pegou um ônibus e foi estuprada pelo motorista. 71 anos. Uma mais idosa ainda, freira, dentro do convento onde vivia. 83 anos. Essas duas últimas citadas, corroboram a tese que venho defendendo. Penso que, apesar de se passar no campo sexual do corpo, o estupro de vulnerável, principalmente, a modalidade intrafamiliar, ou melhor, o incesto. Tanto a freira de 83 anos, quanto a idosa de 71 anos não exalam mais sensualidade. É da natureza. Não há como se falar que a freira foi estuprada aos 83 anos porque sua minissaia era muito curta, ou a idosa de 71 anos estava com um longo com uma fenda que chegava quase à cintura e muito justo modelando o corpo. À partir de qual estímulo sexual esses dois homens se excitaram para realizar uma penetração. Mesmo com a “colaboração” da violência e da crueldade, houve ereção e ejaculação. Epstein e seus convidados ilustres também, estupravam meninas travestidas de mulheres. Eram crianças. E os bebês? Tanto na Ilha de Epstein quanto aqui entre nós, bebês são estuprados e escravizados para enriquecimento de um familiar. E nada é feito para que possamos começar a ter instrumentos científicos seguros para adquirir o conhecimento dessa aberração humana. Se, quando uma mãe, cumprindo o Art. 13 do ECA, leva a queixa de sua criança à Instituição competente, é, imediatamente, considerada “alienadora louca”, e, ao cabo de alguns penosos anos, a justiça promove a Privação Materna Judicial e entrega a criança violada para seu violador. As provas materiais, marcas de várias idades na pele, ou as fissuras anais comprovadas por legista público, são desconsiderados. Os fatos objetivos vêm sendo substituídas por interpretações que se pretendem descobrir por traz da realidade. Ou seja, uma lei objetiva, por exemplo, é interpretada por um magistrado que sentencia, por fim, em desobediência à Constituição, ao Código Penal, e ao ECA, de uma vez só, “não houve estupro, havia afeto” – criança de 12 anos – quando a Lei determina o marco de 14 anos. O problema é que essa “interpretação” está sempre embebida de transgressão. Alguém imagina como seria uma mãe chegar numa delegacia para fazer uma denúncia de estupro de vulnerável de um bebê de 8 meses? Se com a voz da criança relatando tudo que sofreu é descredibilizado, sendo um bebê, que ela flagrou o genitor abusando, o que seria feito com ela? Mas, não são bonecos borns que estão na internet à venda em vídeos pornográficos. Já vimos de tudo em horrores? Não. Uma adolescente é atraída por um ex, confiou, e a armadilha sexual tem início, 4 outros rapazes entram no apartamento e executam um estupro coletivo. Brutalidade, crueldade, muita violência. As lesões ficam. A dor imensa, a física, a psicológica. O estupro coletivo, além de bárbaro, traz um ponto que merece uma reflexão. Misturando Exibicionismo e Vouyerismo, a promiscuidade instalada com a execução do estupro, deixa à mostra uma espécie de irmandade perversa, despudorada, onde os órgãos sexuais ficam todos exibidos e trocam fluidos entre os homens, sem cerimônia. Esse fenômeno estava também nos Estupros Continuados de Gisèle Pelicot, à época com 50, 60 anos, e que promovidos pelo seu marido, Dominique Pelicot. Durante uma década, ele vendeu o corpo inerte de sua esposa para homens, no próprio quarto do casal, assistido e gravado em vídeo. Ele selecionou cerca de 80 homens, entre os quais escolhia alguns de cada vez, e os estupros eram, assim, coletivos. No caso da adolescente, essa espécie de excitação pervertida, movimenta um impulso brutal de violência contra a vítima, repetitivo, quase em conjunto, e pontapés são desferidos. Isso tudo tem resultado Poder para os predadores. Em meio à tempestade de estupros e feminicídios que crescem em assustadora proporção geométrica, aquele senhor alaranjado, que aparece em milhares de fotos com meninas pequenas, acusado por muitas delas de ter avançado, deflagra uma guerra e realiza o que vinha respondendo para os repórteres: “tem que passar a página”, “tem que esquecer isso”. E ele mudou tudo por mísseis, drones kami-kazis, bombas variadas, usando na paleta o tom terracota, de mais impacto, logo substituído por um tom mais suave. E assim, o tema dos pedocrimes virou fumaça. Parece que os crimes de pedofilia foram capturados pelos drones e mísseis. Pode ser, só, coincidência.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

As Franquias de Epstein Parte II.

As Franquias de Epstein. Parte II Continuo intrigada com o significado do termo “risco” quando é usado em Processos de Vara de Família. A postura negacionista, amplamente usada, garante., não se sabe baseada em que, a não opção para que se torne realidade. Mas, todos os dias vemos as estatísticas exibirem os riscos consumados em feminicídios e infanticídios. Os corpos de mulheres, crianças, LGBTQIAPN+, indígenas, animais, servem ao gozo de Poder, um exercício onde o infinito, com seu símbolo de 8 deitado, está a serviço da crueldade. Ela não tem limite. Por ingenuidade, por ignorância ou por, em algum nível, cumplicidade, a sociedade e seu executor de regras do convívio, o sistema judiciário, têm escolhido a bondade diante dos pedo-criminosos e dos feminicidas. Códigos sociais existem, Leis, até de excelência como a Lei Maria da Penha, estão escritas no nosso corolário jurídico, mas quase nada é feito, quase nada segue o procedimento necessário. Os pedo-criminosos, em sua habilidade de convencimento e sua capacidade de dissimulação, são muito bem acolhidos nos processos e audiências, e quando julgados, raridade, lhes é dada a pena mínima e logo entram em regime de progressão de pena, voltando a cometer seus crimes. Vale lembrar que um estuprador, pode até dar um intervalo, mas vai estuprar de novo, e de novo. Isso não é um palpite, não é uma opinião. É resultado de evidências estudadas. E, evidentemente, é inaugurada a pavimentação da estrada da pedo-criminalidade, com uma pista de 8 faixas de rolamento, só em uma direção, a da perversão. Sem sentido contrário. Não há como voltar. Temos vasta exemplificação nesse momento. O caso Epstein parece ser o carro chefe, seguido de toda sorte de organizações pedo-criminosas e da Cultura Feminicida. Enquanto essas organizações se valem das bondades legais que protegem predadores intrafamiliares, as crianças são condenadas a se tornarem o bônus para seu abusador, inocentado, ao mesmo tempo que são punidas com a Privação Materna Judicial. Falo de organizações porque há um respaldo que agrega esses pedo-criminosos, sempre prontas a prestar auxílio jurídico, e, muitas vezes financeiro. Cada “peixinho” pequeno é importante para proteger para que os grandes “peixes” continuem gozando do anonimato nos crimes. Por que preferir favorecer um adulto suspeito de pedo-crimes, em detrimento de uma criança que está em visível sofrimento? Se não há certeza sobre o relato dela, por que ter certeza da narrativa daquele a quem ela denuncia? Assim acontecem os crimes contra as mulheres. Elas procuram as delegacias, prestam queixas, colecionam Boletins de Ocorrência e são assassinadas, mesmo assim. Foi uma saga dessas que Maria da Penha Fernandes, depois de anos denunciando a violência, recorreu à OEA, a Organização dos Estados Americanos, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, CIDH, e, só assim, escapou de ser assassinada pelo seu agressor. Há poucos dias um homem assassinou com crueldade uma mulher jovem que já tinha recorrido à Polícia 15 vezes. Não é difícil entender o descrédito que a população tem nas Instituições que têm como função a garantia da Lei, e a sensação de Justiça que todos precisamos. Temos leis, não temos Justiça. É só ler a notícia de mais um Feminicídio, com as inúmeras anotações criminais no curriculum do criminoso. E aí a pergunta surge: e estava solto? Voltamos à questão do significado semântico do termo “risco”. Nosso Congresso não se interessa pelo assunto da revisão de leis lenientes com criminosos hediondos. Parece que, como eles, homens, andam cercados de seguranças em carros blindados, nem imaginam, e nem querem imaginar, o que é viver com medo, o tempo todo. Aquele Professor de Direito, que ocupava cargo de direção em Instituto que se diz de direito de família, outra aparência ilibada, que teve 24 vítimas que fizeram denúncias de estupros, um serial que dopava as vítimas e as violentava com ferocidade, machucando-as, ele mesmo estava em evento público, sendo homenageado. Sim, também teve o entendimento que não oferecia risco. Como? Nenhuma vítima foi consultada sobre o medo que teriam com esse relaxamento. Afinal, os juízes e as juízas têm certeza de que são obedecidos pelos criminosos. Não sei em que se baseia essa certeza. Se tivéssemos o procedimento da Responsabilização de quem aposta em criminoso, talvez essa certeza já estivesse sendo visitada pelo benefício da dúvida. E o cuidado aparecesse com a dúvida. E crianças estivessem sendo salvas das redes de pornografia infantil internacional. É preciso qualificar melhor a competência de todos os agentes que devem promover a Proteção Integral da Criança. A Organização Epstein não morreu, não é problema dos outros países, não está longe. E não vai acabar com ações disciplinares. E está tudo conectado na imensa capilaridade das perversões. Não há caso isolado nem em quantidade, nem em qualidade de crime. É uma rede, também. Não podemos ser ingênuos em pensar que sabemos por que isso está sendo divulgado, então vamos resolver. Enquanto não olharmos para a etiologia desse defeito que faz crescer uma pessoa sem as estruturas cerebrais responsáveis pela empatia, não vamos instalar uma nova cultura do respeito ao outro. E a Organização Epstein vai continuar ativa. E as Franquias Epstein, também. O primeiro efeito nefasto é que já subiu o sarrafo, ou seja, já foi operada uma dose de naturalização para os atos de lascívia mais frequentes, mas nunca menos traumáticos e desastrosos. Mas diante de tamanhos horrores, com tortura e morte, incluindo canibalismo de bebês, chocados, depois do estômago embrulhado, das noites de insônia, dos pesadelos que sonhamos, da “paranoia” na vigilância das crianças, que as pessoas serão punidas e passaremos todos a fazer frente aos pedo-criminosos. Acredito que essa exposição é intencional, é para meter mais medo diante do Poder. É uma exibição de força acima de todos e de tudo. É assim que poderosos se comportam. Não recuam, avançam ainda mais mostrando suas armas letais e perversas. É só olhar para os números de Feminicídio e o agravamento de suas atrocidades. Dessa vez, o da semana, foi um piloto de aviação comercial, pacato senhorzinho, de aparência agradável, acima de qualquer suspeita. alguém que tem sob seu comando um avião com 200 ou 300 pessoas à bordo, sob sua responsabilidade. Mas, talvez, gostasse mais de pensar que elas estavam sob seu domínio. Tinha uma vovó que recrutava crianças para ele, a começar pelas suas 3 netas, as quais negociava com ele. Com seu rostinho angelical, ele se aproximava de mães e avós, ganhava a confiança e abria o acesso às crianças, filhas e netas delas. Uma Franquia do esquema Epstein. Um pouco mais modesta no alcance, mas o mesmo modus operandi. Não precisamos de novas leis, atrativo para restar legisladores como reserva eleitoral. Vazio. Precisamos pensar a linha transgressora que corre em nossas veias, a tendência acentuada de identificação com o agressor. Se pensarmos que vivemos em líquido de benesses de transgressores de toda ordem, dos pequenos delitos até os grandes crimes, o que abre portas e janelas para crimes hediondos , um pai que assassina os dois filhos para matar a maternidade da mãe, e que ainda assim, consegue aliados, consegue engrossar sua voz dissimulada, em explícita crueldade.

Feminicídio, Infanticídio, o Indígena, e o "Orelha", quem são os homens que matam vulneráveis.

Feminicídio, Infanticídio, o Indígena, e o “Orelha”, quem são os Homens que matam vulneráveis. Parte I Galdino Pataxó. Era 1997. O Indígena queimado vivo num banco de parque em Brasília. A pouca distância do Centro da Capital Brasileira, das Instituições do Governo Federal. Galdino dormia no banco. Cinco adolescentes jogaram gasolina sobre ele e riscaram o fósforo. Chegou ao hospital com grande dificuldade respiratória e extensas e profundas queimaduras pelo corpo. Não aguentou, veio a óbito. Ainda lembramos? O assassinato de Galdino Pataxó foi operado por um grupo de 5 adolescentes, filhos de pessoas “influentes” em Brasília. Não pode ser considerado um impulso incontrolável. Afinal, foi necessário ir até um posto de gasolina e arrumar um recipiente cheio do combustível. O banco onde Galdino estava dormindo não ficava na calçada do Posto. Ou seja, houve um tempo entre a ideia e a sua execução, tempo este que permitiria o recuo de ideia tão macabra. Mas, foram se muniram dos itens necessários, e voltaram para realizar o assassinato cruel. Acompanhamos o caso de Ângela Diniz em 1976, em Arraial do Cabo, RJ, quando o advogado famoso do assassino, lançou o argumento da legítima defesa da honra, pintando Ângela como louca e depravada, uma prostituta de luxo, afirmando inclusive que ela queria e pedia para morrer e que o assassino, seu marido, só teria atendido ao pedido dela. Um homem amoroso, dedicado, que atendeu ao pedido da mulher lhe dando 4 tiros, um favor, desfigurando-a, como é de praxe. Não basta só matar, tem que exterminar a identidade, destruir a cara. Mais recentemente tivemos uma psicóloga, dita “perita”, que afirmou que a mulher era a culpada pelo seu assassinato porque teria praticado a falácia de alienação parental, então o pobre homem “perdeu a cabeça”. Ela foi morta pelo marido, na frente do filho por ser uma “alienadora”. Não soube da entrada da pena de morte, motivo alienação, no Código Penal. No entanto, temos agora uma lei bizarra que pretende obrigar a ter afeto. Quem não amar seu filho, mesmo pagando certinho a pensão alimentícia, será punido, multado por “falta de afeto”. Será que a justiça pensa que vai controlar com presença um sentimento? E qual será o uso dessa lei pelos pais perniciosos e abusadores, claro que usarão para pleitear a convivência mesmo que os atos de lascívia estejam postos. A convivência passa a ser obrigatória. E, será que os agentes judiciários acreditam que obrigar a conviver vai levar ao amor? Presumo que sim, porque isso já acontece pelo lado da criança. Obrigar uma criança a conviver, a ficar na casa de alguém de quem ela tem medo, pavor, por 2 dias seguidos e metade das férias, para esquecer o que relatou de sofrimento, parece-me, no mínimo, uma ingenuidade que não cabe nesse nível, para não levantar lebres mais descabidas ainda. Por conta dessa autoimagem de autoridade que será obedecida, a justiça já entregou muitas crianças que foram a óbito em mãos de seus genitores. Joanna, Bernardo, Isabella, Henry, os irmãos Mariah e Lucas, e tantos outros. Na semana passada o Manoel, 2 anos, foi jogado contra a parede, como uma bola de basquete, e depois esfaqueado até a morte, pelo genitor. A lista é longa, muito longa. A explosão de Feminicídios vem de par com o endurecimento da dosimetria correspondente. Passou de 30 para 40 anos de reclusão, a maior pena. E aumentou em escala geométrica o número de casos. Não só a quantidade, mas a qualidade da crueldade cresceu enormemente. Viviane, Juíza de Direito, morta com 16 facadas em frente às 3 filhas na véspera de Natal de 2021, se não estou enganada. Renata, desaparecida, enterrada e cimentada no chão da casa. Dayane, enforcamento mecânico nas mãos de seu assassino, contra quem tinha feito 12 Boletins de Ocorrência, inclusive de lesão corporal. Foi 12 vezes à delegacia. Laina, seu marido assassino a matou com mais de 15 marteladas na cabeça, em espetáculo exibido na varanda, de andar baixo, aberta da casa, assistido por plateia formada por vários vizinhos e por suas duas filhas. A mais velha ainda tentou defender a mãe, mas também foi agredida pelo assassino seu pai, e foi retirada pelos vizinhos. Há algumas semanas, o homem que deu 60 socos na cabeça e rosto da namorada. O outro que arrastou a ex-namorada com o carro, destroçando, completamente, seu corpo. Etc., etc, etc,. A violência vem contaminando adolescentes. Um grupo deles matou uma colega no banheiro da escola porque ela tinha negado “ficar” com um colega. Golpes. Um jovem adulto, por conta de uma “brincadeira” de cuspir chiclete num outro adolescente, entrou em luta corporal e acabou por destruir metade do crânio do menor. E o Orelha. O cachorro que foi torturado ao ponto de ter que ser eutanasiado. A suspeita da autoria recai sobre um grupo de adolescentes. A indignação com o sofrimento do cachorro inundou o país. Movimentos se formaram, multidões foram às ruas nas grandes cidades, as falas de revolta ecoaram, algumas expressando desejo de vingança, com igual violência. Precisamos agradecer ao simpático cãozinho comunitário, foi ele que despertou um número muito significativo de pessoas de todos os lados, e de todas as cores políticas, coisa tão rara. A vulnerabilidade foi sentida, sim, sentida em sua dimensão de impotência contra um ataque de violência de um agressor que busca Poder absoluto. Talvez nunca fique provada a autoria da tortura infringida ao Orelha. Já há sinais de mais essa impotência. Mas fomos todos acordados. Urge conseguir outras indignações contra assassinos de Orelhas-Mulheres, Orelhas-Crianças, Orelhas-Trans, Orelhas-LGBTQIAPN+, Orelhas-Bebês. Vulneráveis são o alvo de fracos, para chegar ao gozo do Poder. Precisamos retornar ao caminho da humanização, sem ingenuidade. Obrigada Orelha. Desculpa o sofrimento que nós, por ação ou omissão, lhe impusemos. Ausência de caráter não é doença mental. Doentes mentais sofrem. Perversos, não.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

As aparências enganam. Outro Serial Estuprador.

As Aparências Enganam. Outro Serial Estuprador. Parte I Outro Professor. Outra aparência ilibada. Outro que usava da prerrogativa de ser Representante. Neste caso, não de uma classe profissional como o do Instituto Nacional que “defende” Direito de Família, mas como Representante do Povo, Vereador há mais de 20 anos. Outro Estuprador em Série. Pelo menos 12 crianças vinham sendo estupradas por ele, que se entregou à polícia e foi preso. Não sabemos por quanto tempo, porque há um entendimento jurídico corrente que se o criminoso tem uma ficha limpa, tem endereço fixo, não oferece perigo. Não oferece perigo para quem? e foi esse o entendimento da magistrada, ele está solto, respondendo em liberdade., com total possibilidade de intimidar sua vítimas. Só não vê essa possibilidade, quem proferiu a decisão. Nenhuma vítima foi consultada sobre o medo que teriam com esse relaxamento. Afinal, os juízes e as juízas têm certeza de que são obedecidos pelos criminosos. Dessa vez, o da semana, foi um piloto de aviação comercial, pacato senhorzinho, de aparência agradável, acima de qualquer suspeita. alguém que tem sob seu comando um avião com 200 ou 300 pessoas à bordo, sob sua responsabilidade. Mas, talvez, gostasse mais de pensar que elas estavam sob seu domínio. Tinha uma vovó que recrutava crianças para ele, a começar pelas suas 3 netas, as quais negociava com ele. Com seu rostinho angelical, ele se aproximava de mães e avós, ganhava a confiança e abria o acesso às crianças, filhas e netas delas. Urge pensar que parecer uma pessoa acima de qualquer suspeita não é suficiente para inverter as posições de vítima e algoz, principalmente, quando se trata de uma relação assimétrica onde a autoridade e o afeto fazem parte da dupla em questão, e recaem sobre o adulto. Ser professor, ser médico, ser advogado, ser empresário, ser famoso, ser piloto de avião, não garante ser correto. Aqueles que têm defeito de caráter, ou não têm caráter, também se tornam professores, médicos, parlamentares, etc. E, posso dizer, que com facilidade porque não sofrem emocionalmente, não têm conflitos éticos ou morais, o que desobstrui bastante os caminhos. E por isso, por essa facilidade sedutora e manipuladora, inescrupulosa, galgam postos superiores para obter a confiança dos adultos do entorno dos vulneráveis. Essa subida está intrínseca ao exercício do Poder, seu único objetivo. Até chegar ao seu Olimpo, o Prazer do Poder Absoluto contra um frágil, escravizando-o. Intrigante é verificar a quantidade de mulheres que se alinham aos predadores, inocentando-os. São advogadas, promotoras de justiça, juízas, psicólogas, assistentes sociais, e várias vezes também mulheres da família da criança estuprada. Mães que não acreditam no pedido desesperado de ajuda que o filho ou filha lhe fazem. Essa situação de negação da ocorrência do abuso sexual pela mãe da criança que relata com pormenores tem diminuído em relação ao tempo em que quase nenhuma dava crédito à Voz que pedia socorro. Muitas vezes decorrente de dependência financeira ou emocional da mãe em relação ao genitor. Com a profissionalização da mulher, aquela frase que cheguei a ouvir há algumas décadas, “não posso doutora, vou proteger um e deixar 4 com fome?”, De tentativa em tentativa temos conquistado uma boa legislação. O ECA e a Lei Maria da Penha incomodam e vivem sob ataques permanentes porque desenharam um contorno de Direitos Humanos de Crianças, Adolescentes e Mulheres. Mas o contorno não foi suficiente. Haja vista a ausência de implementação de uma Cultura de Respeito a Direitos de Vulneráveis. A Misoginia contamina um grande número de homens e, relativamente, um enorme número de mulheres. Talvez pudéssemos buscar uma compreensão na Tese da Espiral de Silêncio, proposta por Elisabeth Noelle-Neumann, que acomete as pessoas em situação de minoria, quando a ameaça da crítica e do isolamento faz calar. As desculpas são, frequentemente, assentadas no escapismo, numa espécie de economia para não se aborrecer, tornando a não verbalização de seu pensamento ou opinião omisso, dando um aval para a maioria. Talvez possamos pensar que essas mulheres que circundam e as mulheres que decidem as vidas das minorias fragilizadas sejam contaminadas pelo Poder da voz e da postura testosterona que impera. Também nesse caldeirão da Misoginia podemos pensar que a Identificação com o Agressor, Mecanismo de Defesa do Ego, é também uma via de escape para se aliar ao Poderoso e não sentir, por identificação também, o medo e a impotência da mãe e da criança em situação de violência. Muitas vezes me pego de queixo caído diante de decisões que parecem sair da boca de um predador cruel, e são decisões, construídas por várias mulheres na escala de uma vara de família, e que vão constituir uma sentença judicial. Confesso que sei que de quase nada adiantam esses artigos aqui escritos e publicados. Mas vou continuar escrevendo a obviedade da crueldade que vem sendo cometida por uns, autores, que contam com a complacência social, e pelos outros que fazer questão de distorcer teorias e montar um mosaico com fragmentos manipulados, para justificar o injustificável. Parece que tudo em nome de uma ilusão de Poder testicular. Quando vamos nos humanizar? Quando vamos deixar de gozar com a morte psicológica ou física de crianças e mulheres, acobertando predadores cruéis?