Ana Maria Iencarelli
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
As aparências enganam. Outro Serial Estuprador.
As Aparências Enganam. Outro Serial Estuprador.
Parte I
Outro Professor. Outra aparência ilibada. Outro que usava da prerrogativa de ser Representante. Neste caso, não de uma classe profissional como o do Instituto Nacional que “defende” Direito de Família, mas como Representante do Povo, Vereador há mais de 20 anos. Outro Estuprador em Série. Pelo menos 12 crianças vinham sendo estupradas por ele, que se entregou à polícia e foi preso. Não sabemos por quanto tempo, porque há um entendimento jurídico corrente que se o criminoso tem uma ficha limpa, tem endereço fixo, não oferece perigo. Não oferece perigo para quem? e foi esse o entendimento da magistrada, ele está solto, respondendo em liberdade., com total possibilidade de intimidar sua vítimas. Só não vê essa possibilidade, quem proferiu a decisão. Nenhuma vítima foi consultada sobre o medo que teriam com esse relaxamento. Afinal, os juízes e as juízas têm certeza de que são obedecidos pelos criminosos.
Dessa vez, o da semana, foi um piloto de aviação comercial, pacato senhorzinho, de aparência agradável, acima de qualquer suspeita. alguém que tem sob seu comando um avião com 200 ou 300 pessoas à bordo, sob sua responsabilidade. Mas, talvez, gostasse mais de pensar que elas estavam sob seu domínio. Tinha uma vovó que recrutava crianças para ele, a começar pelas suas 3 netas, as quais negociava com ele. Com seu rostinho angelical, ele se aproximava de mães e avós, ganhava a confiança e abria o acesso às crianças, filhas e netas delas.
Urge pensar que parecer uma pessoa acima de qualquer suspeita não é suficiente para inverter as posições de vítima e algoz, principalmente, quando se trata de uma relação assimétrica onde a autoridade e o afeto fazem parte da dupla em questão, e recaem sobre o adulto. Ser professor, ser médico, ser advogado, ser empresário, ser famoso, ser piloto de avião, não garante ser correto. Aqueles que têm defeito de caráter, ou não têm caráter, também se tornam professores, médicos, parlamentares, etc. E, posso dizer, que com facilidade porque não sofrem emocionalmente, não têm conflitos éticos ou morais, o que desobstrui bastante os caminhos. E por isso, por essa facilidade sedutora e manipuladora, inescrupulosa, galgam postos superiores para obter a confiança dos adultos do entorno dos vulneráveis. Essa subida está intrínseca ao exercício do Poder, seu único objetivo. Até chegar ao seu Olimpo, o Prazer do Poder Absoluto contra um frágil, escravizando-o.
Intrigante é verificar a quantidade de mulheres que se alinham aos predadores, inocentando-os. São advogadas, promotoras de justiça, juízas, psicólogas, assistentes sociais, e várias vezes também mulheres da família da criança estuprada. Mães que não acreditam no pedido desesperado de ajuda que o filho ou filha lhe fazem. Essa situação de negação da ocorrência do abuso sexual pela mãe da criança que relata com pormenores tem diminuído em relação ao tempo em que quase nenhuma dava crédito à Voz que pedia socorro. Muitas vezes decorrente de dependência financeira ou emocional da mãe em relação ao genitor. Com a profissionalização da mulher, aquela frase que cheguei a ouvir há algumas décadas, “não posso doutora, vou proteger um e deixar 4 com fome?”,
De tentativa em tentativa temos conquistado uma boa legislação. O ECA e a Lei Maria da Penha incomodam e vivem sob ataques permanentes porque desenharam um contorno de Direitos Humanos de Crianças, Adolescentes e Mulheres. Mas o contorno não foi suficiente. Haja vista a ausência de implementação de uma Cultura de Respeito a Direitos de Vulneráveis. A Misoginia contamina um grande número de homens e, relativamente, um enorme número de mulheres. Talvez pudéssemos buscar uma compreensão na Tese da Espiral de Silêncio, proposta por Elisabeth Noelle-Neumann, que acomete as pessoas em situação de minoria, quando a ameaça da crítica e do isolamento faz calar. As desculpas são, frequentemente, assentadas no escapismo, numa espécie de economia para não se aborrecer, tornando a não verbalização de seu pensamento ou opinião omisso, dando um aval para a maioria.
Talvez possamos pensar que essas mulheres que circundam e as mulheres que decidem as vidas das minorias fragilizadas sejam contaminadas pelo Poder da voz e da postura testosterona que impera. Também nesse caldeirão da Misoginia podemos pensar que a Identificação com o Agressor, Mecanismo de Defesa do Ego, é também uma via de escape para se aliar ao Poderoso e não sentir, por identificação também, o medo e a impotência da mãe e da criança em situação de violência.
Muitas vezes me pego de queixo caído diante de decisões que parecem sair da boca de um predador cruel, e são decisões, construídas por várias mulheres na escala de uma vara de família, e que vão constituir uma sentença judicial.
Confesso que sei que de quase nada adiantam esses artigos aqui escritos e publicados. Mas vou continuar escrevendo a obviedade da crueldade que vem sendo cometida por uns, autores, que contam com a complacência social, e pelos outros que fazer questão de distorcer teorias e montar um mosaico com fragmentos manipulados, para justificar o injustificável. Parece que tudo em nome de uma ilusão de Poder testicular.
Quando vamos nos humanizar? Quando vamos deixar de gozar com a morte psicológica ou física de crianças e mulheres, acobertando predadores cruéis?
As franquias de Epstein Parte I
As Franquias de Epstein.
Parte I
Estamos inundados de Epstein. Parece que caí nas Cataratas do Iguaçu, que nos dão a certeza que a água não vai acabar nunca, e não vamos mais nos livrar dela. Talvez a imagem tenha um que de exagero, mas é como eu me sinto. Confesso que tenho dificuldade de imaginar 3 milhões de documentos de onde saem números enormes, os menores em milhares.
O mais assombroso é que, parece, parece, que tem mais 3 milhões de documentos que estariam censurados por algum critério, o primeiro que surge é que seriam piores os horrores. Será? Talvez seja porque contém nomes que ainda não foram negociados, devidamente. Ou mesmo que sejam coisas mais horripilantes ainda. Evidente que, na ilusão de que somos uma civilização, existe uma intensidade de crueldade que não imaginávamos.
Também ilusão pensar que, uma vez que tenhamos o conhecimento, vamos resolver a pornografia de crianças e adolescentes, que conhecendo os pedocriminosos vamos puni-los, e até acabar com a pedofilia. Sonhar é livre. Estamos adentrando nas trevas. E descobrimos que são 150 tons de sombras, ou 150 mil tons de sombras. Estamos nos consolando com esses sonhos de consertar o que é muito maior do que o que estamos vendo.
Antes de tudo, é indispensável que estudemos a situação para buscar uma possibilidade de enfrentar essa Organização Criminosa Internacional e, Transgeracional. Esta avalanche de barbárie é, antes de tudo, uma demonstração de Poder. Os Poderosos estão nos dando um recado sobre seu Poderio. Continuamos submetidos aos donos do mundo. Não é para consertar, é para mostrar a força. Uma força que esmaga e efetiva a cremação de humanicidade. E precisamos ter muito cuidado nessa hora. Confesso que não sei por onde começar dentro de mim. Não vou regar e adubar um pé de ódio por um monstro, achando que vai dar frutos. Não há um monstro.
De repente, não mais que de repente, desenharam-se franquias de Epstein pelo mundo, e, em nosso território. Um professor de Direito, que já até esquecemos, mecanismo de defesa do ego, um serial estuprador que foi notificado por 24 vítimas. As vítimas que se sentiram encorajadas a prestar denúncia. Não temos ideia de quantas meninas foram violentadas por ele. Assim como não vamos ter conhecimento de todas as crianças, meninas e meninos, e adolescentes que os homens poderosos estupraram e assassinaram. Bebês também. A indubitável coincidência do similar modus operandi de Epstein e do Professor de direito que vitimava suas alunas: seduzia, dopava, estuprava com crueldade e filmava tudo.
O intrigante é que o professor e, no flagrante, presidente de Instituto de Defesa de família, está livre, leve e solto. Foi fotografado, sorridente, em evento que o homenageou, sim, o homenageou, há poucos dias. Feliz.
Não é para menos. O juiz que relaxou sua prisão pedida, justificou que ele não oferecia risco. Não oferecia risco??? Afinal, tem endereço fixo, é réu primário, e o juiz tem certeza que ele vai se comportar bem respondendo o processo que mutilou a mente e os corpos de várias meninas. Se, as meninas violentadas por esse professor eram ameaçadas para que mantivessem total silêncio sobre as barbaridades que ele praticava, o Senhor Juiz acredita mesmo que o “suspeito”, ele, não ameaça mais porque o juiz falou que isso é errado?
É admirável o autoconvencimento de alguns magistrados. Com todo respeito. Uma criança de 6 anos, é torturada e amarrada à uma cadeira pelo genitor, divulga o registro, tem a convivência diminuída, mas a sentença segue em sentido contrário e garante a ampliação dessa convivência: “fez, mas não vai mais fazer, não tem nenhum risco.” Onde fica guardada a garantia da não repetição de uma violação dessa monta?
Não consigo compreender o novo significado do termo “risco”. Quando constato que um enorme número de feminicidas tinham essa justificativa nos seus processos. Alguns que, inclusive, já tinham cometido crimes anteriores de violência doméstica, e mesmo assassinato. Se o crime é contra a criança, prevalece uma crença de que a convivência com o genitor agressor ou não, é indispensável, e a criança é forçada a estar com esse genitor, acompanhada ou sozinha, para ficar por horas e até pernoitar com seu algoz. E o “risco”, é só uma ilação? Talvez um exagero. Mas, onde acomodar os crimes cometidos sob essa garantia aludida?
Crianças vão afundando no desespero. Seus relatos, Exames de Corpo de Delito, fotos e vídeos, o visível e inegável tormento emocional, com somatizações, perdem o status de fato comprovável e são interpretados, sempre tendo como inspiração o sentido psicanalítico. Essa inspiração foi deslocada porque ela só cabe no processo de tratamento psicanalítico. É muito atraente descobrir o recalcado, o simbólico, o fantasmado. Mas essa é uma função do psicanalista no exercício laboral específico. Não deve ser usado como método por pessoas que não estão prestando serviço de tratamento psicológico.
Esse uso inadvertido dessa metodologia, não passa incólume pela criança que está se machucando para relatar, e reviver, as dores dos traumas sofridos ao ser submetida aos atos de lascívia e de violência física. Sentir que não é escutado nos fatos que sofreu, empurra a criança para um desespero insuportável. A Ideação Suicida começa a ser insistente, “ninguém me escuta, não quero ficar com ele, nem ver ele, o juiz me obriga, então vou me matar”. Estamos correndo graves riscos, no significado do dicionário, que têm sido feitos tentativas. Enquanto crianças, as tentativas não têm resultado morte, pela incapacidade de calcular bem a ideação. Mas erros de cálculo podem ocorrer. O desespero é um combustível perigoso. E, convivência forçada é tortura velada.
No entanto, urge nosso cuidado com a dor em desespero pela desqualificação da palavra da criança, a vítima negligenciada por todos nós. A Ideação Suicida de Crianças é um grave problema, olhado por operadores de justiça, por vezes, com desdém da criança e deboche dirigido ao profissional que faz o alerta.
A impressão que fica é a da impunidade, do tudo pode, do desamparo de vulneráveis, de uma justiça que existe, apenas, para parte da população. As Franquias de Epstein estão por toda parte.
Alienação parental, mentiras e lobby eficiente. Parte III
Alienação parental, mentiras e lobby eficiente.
Parte III
Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Governo Nazista Hitler, de 1933 a 1945, afirmava que uma mentira dita e repetida mais de 100 vezes, se torna verdade. Goebbels manipulava dados para favorecer o Regime e desenhar, com cores mais fortes, os grupos de humanos que ele elegeu como perseguidores a serem eliminados em nome da supremacia ariana, promovia fogueiras de livros censurados por ele como subversivos. Livros ao fogo. E água, as mentiras repetidas mais de 100 vezes, para lavar o cérebro.
Essa “Estratégia Goebbels” da mentira que é travestida em verdade, sem comprometimento com a Ciência ou o Bom Senso da Realidade, é o modus operandi utilizado pelos acobertadores dos pedocriminosos. É operando essa estratégia que foi criada uma mentira que atribui periculosidade a todas as mães que denunciam abusos intrafamiliares contra crianças. Essa mentira ganhou o nome de alienação parental e a penalidade máxima, a Privação Materna Judicial, é inerente ao termo.
Faz-se necessário entender que o término de um casamento/relacionamento amoroso produz uma frustração, uma sensação de perda, por vezes uma sensação de fracasso, por vezes uma sensação de raiva dos erros cometidos que são sempre atribuídos ao outro. É como no luto por uma pessoa querida. Eram projetos a dois, era um objetivo de família, era uma arquitetura de vida comum, que se desconstrói. É esperado que haja um combo de sentimentos e emoções, acrescido pelo trabalhão de reorganizar a logística das crianças, e da casa.
Portanto, por mais bem decididos que os dois estejam, é penoso. E a frustração, muitas vezes se aproxima da raiva, e a busca por um “culpado” passa a acontecer. Mas, como nos afirma a Dra. Clara Sottomayor, Juíza na Corte Constitucional de Portugal, em seu livro sobre os Direitos das Crianças, este é um momento típico do luto, que se arranjará à medida que as pessoas se reorganizem e refaçam suas vidas. A emboscada de travestir esse momento transitório em judicialização com ataque à mulher que é interrompida pela mentira em sua maternidade.
Curioso observar que esses processos começam pela reação à denúncia de comportamentos inadequados do genitor que, por isso, como retaliação, acusa a mãe de estar praticando atos de alienação. Mas, essa mesma dita alienação, passa a ser executada pela justiça. Não pode alienar o pai, mas tem que alienar a mãe. Alguém pode me explicar essa lógica? Aliás, tem lógica? Não pode ter o pai afastado por ter cometido pedocrimes, mas pode afastar a mãe por ter tentado buscar a Proteção Integral da Criança, cumprindo a Lei.
Há sempre uma voz que diz: “mas eu conheço uma mãe que é alienadora, maluca, e faz maldade com o ex.” Evidente que existem sim mulheres, como existem homens, que mentem, que inventam, que nutrem a raiva transformando-a em ódio. Sim, os números de Feminicídio são a maior e mais cabal prova de que existem pessoas que são imaturas, e pessoas que são perversas. Mas daí a passar a desqualificar, preconceituosamente, todas as mães e todas as crianças que buscam que a lei seja cumprida e o Direito da Criança seja garantido, existe uma incompatibilidade intransponível.
Esse malabarismo ainda implica em lançar outra mentira: as falsas memórias. Não há escrúpulo em afirmar o impossível. Uma criança de 3, de 5, de 8 anos não é capaz de decorar um texto inacessível pelo seu desenvolvimento cognitivo, texto que descreve cheiro, gosto, detalhes inalcançados ainda pela cognição e conhecimento, e ainda desenhar e encenar, espontaneamente, os atos de lascívia a que foi submetida. Ninguém conseguiria introduzir uma situação traumática dessa ordem e obter o resultado da criança repetir por anos o relato das mesmas situações vividas. A criança até os 11/12 anos só funciona em raciocínio concreto, sua memorização opera por experiência, nunca por palavras que não fazem parte de seu mundo.
Mas, não há constrangimento em atacar a criança com esse tipo de acusação, sem se compadecer com sua dor ao ver o que o estuprador já lhe havia anunciado: ninguém vai acreditar em você. Desacreditada e cansada, ela acaba por desistir, e cai num segundo trauma. Ela se vê obrigada a se retratar da verdade que lhe aconteceu. Ou seja, ela se pega negando o que sofreu, passando a exercer a autoacusação de que não sua palavra não é confiável. É um momento enlouquecedor que inaugura a permanência na dúvida entre o real e a mentira.
Com o forte movimento pela Revogação dessa lei emboscada, desastrosa, o lobby eficiente que defende os genitores agressores, apressou-se em passar uma “lei do afeto”. Como se a justiça fosse ter capacidade de obrigar um pai a gostar do filho, ela se lança em terreno que abre uma avenida para a obrigação de convivência que será reivindicada, claro, pelos genitores agressores. Haja ardil.
O mais assustador é que essa capilaridade garante o sistema que faz parte, como já falei várias vezes, da Organização Criminosa Internacional. Rasgaram um pedacinho da cortina. Estamos enojados e indignados. Sinto muito, mas já vivíamos nessa ausência de caráter. Precisamos reconhecer que não temos um sistema de justiça justa, eficiente e permanente que proteja vulneráveis para que não se tornem vítimas. Estamos muito atrasados na construção de uma humanicidade.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Feminicídios em explosão, quem autoriza? Parte I
Feminicídios em explosão, quem autoriza?
Parte I
Nós. Toda a sociedade autoriza e se dobra à Misoginia, o preconceito de base, o preconceito estrutural, por ação ou omissão, e, entre a ação e a omissão, existe a ação camuflada de cegueira. Aliás, já escrevemos sobre a “cegueira deliberada” nas Varas de Família, apontada há mais de 15 anos por Desembargadora que em seu Artigo “Incesto e o Mito da família feliz”, na pág. 176, “a cegueira da Justiça”’, de seu livro Incesto e Alienação parental – Realidades que a Justiça insiste em não ver, onde ela também discorre em subtítulos sobre “a lei do silêncio”, “a face oculta do incesto”, “a farsa da alienação parental”, temas muito bem abordados pela autora. Sei que vão estranhar a descoberta da posição do pensamento exposto à época, que pulou para o lado oposto do terreno. Sempre recebo observações me perguntando se não estou enganada. Esta é uma questão que guardo uma grande curiosidade, eu também. Um interessante ponto a ser estudado. Precisamos saber se esse tipo de mudança, por exemplo, induz o judiciário a seguir na “cegueira” como está afirmado no livro, onde é acrescentado que “a Justiça acaba sendo conivente com o infrator, culpabilizando a vítima”, Pág. 176. Afirma ainda a autora que a justiça, não aceitando a voz da criança em fragmentos “coerentes com as situações e os comportamentos envolvidos, legitima o incesto. A impunidade reforça a invisibilidade do incesto, chegando a legalizá-lo.”
Estamos falando de violência sexual de criança porque ela faz parte do tipo de Feminicídio Continuado. Manter, ininterruptamente, uma mulher sob forte pressão, usando uma lei que foi inventada para defender genitores acusados de pedofilia, sem respaldo científico nenhum, é uma forma torturante de Feminicídio lento e invisibilizado. Essa era uma das torturas experimentadas nos laboratórios humanos, desenvolvidos pelos nazistas, para medir a capacidade da mãe aguentar a privação de seu filho que lhe era retirado, similar à inversão de guarda por “busca e apreensão”, atual e legalizada, em episódio traumático, porquanto a criança sai “presa” no colo de um policial armado.
Não há nenhuma dúvida que esta prática judicial é traumática para a criança. Repercutindo, evidentemente, na mãe, que, por vezes, recebem respingos da truculência que age contra seu desespero ao ver a criança, muitas vezes, muito pequena, em lactação, mas nada é suficiente para deter o ódio que alimenta esse procedimento.
Não se sabe nada sobre essas crianças. A omissão do Estado, outro subtítulo também do citado livro, não acompanha a criança nesse período de pós trauma severo. Afinal, todos sabemos das sequelas da Privação Materna que causa severos quadros psicopatológicos, amplamente estudados pela Psicologia. Não há nenhum Protocolo a ser seguido, nenhum acompanhamento psicossocial, nenhuma avaliação psiquiátrica da criança. Não se tem notícia nenhuma de seu comportamento, de comorbidades, de seu desempenho escolar, de seu desenvolvimento. Nada.
É como se fosse consagrado: está com o pai, então pronto. Não se conhece os efeitos da falta total da mãe, imposta judicialmente, e nem da convivência com o genitor, na maioria dos casos suspeito de estupro de vulnerável. A justificação é sempre que os comportamentos lascivos não restauram provados. Claro. Esse é um crime quase perfeito. Os estupradores não deixam rastro, são meticulosos. Mas crime não provado não é afirmação de inocência. Pode ser metodologia com fragilidade ou pode ser devido à grande competência do autor.
Assim também, todo esse sofrimento da mãe, este podemos ver porque temos acesso, diferente da criança que passa a se sentir, completamente, desamparada, vai operando um Feminicídio Continuado. E quando a mãe morre, no atestado de óbito está escrito AVC, ou infarte, ou uma neoplasia fulminante, por exemplo, mascarando a real causa. A despeito da tortura dos nazistas, nem todos os organismos aguentam por 10, 15, 20 anos viver sob o medo, o insulto, e o terror, contínuos.
No próximo artigo, abordaremos um outro tipo de Feminicídio, igualmente devastador. A Maternidade concentra um ímã de ódio que aumenta as estatísticas. Com tiros, faca, fogo, socos e pontapés, jogar pela janela do 10º andar, com machadinha, pela ferragem do carro arrastando o atropelamento, as formas estão cada vez mais cruéis. Não basta desfigurar o rosto, é preciso desfigurar o corpo todo.
A consagrada impunidade desidrata as leis vigentes. Lei tem, mas... Um homem espanca e mata sua namorada, a coloca no carro e vai até a delegacia. Apresenta-se ao delegado que ouve sua confissão e o libera. Mas ao chegar no seu carro, lembra do corpo da moça. Sem hesitar, retira-o e deixa-o na calçada da delegacia. E, sem ser incomodado, vai para casa.
Não é roteiro de filme de terror. É terror na vida real.
Alienação Parental, mentiras e o lobby eficiente. Parte I
Alienação Parental, mentiras e o lobby eficiente.
Parte I
Há algumas semanas, me deparei com mais um artigo, sobre alienação parental, pleno de erros, desinformações, de Sofismas que se assemelhavam ao clássico exemplo do be-a-bá das primeiras noções do estudo da Filosofia: “ursos são animais, ursa maior é uma constelação de estrelas, logo, ursos são estrelas”. Era um Editorial de um Jornal de grande circulação. O artigo que traz o posicionamento de um veículo de comunicação no país. E me perguntei, mais uma vez: por que a mentira, as mentiras são tão facilmente espalhadas? A desinformação que nega todas as numerosas informações científicas e clínicas, robustas, com comprovação, e de acesso explícito, podem ser chamadas de mentiras estratégicas.
A pergunta seguinte se refere ao serviço prestado pelas mentiras em pauta. A quem servem? A mentira, por exemplo, de que se for revogada a lei 12.318/2010, as crianças ficarão sem proteção, parece estar pendurada num fio de teia de aranha. Essa lei protege, como explicitou o inventor do termo alienação parental, que nunca foi reconhecido pelas Associações Científicas, nem pela OMS, o agressor. Foi esse o objetivo do médico generalista, e também pedófilo, Gardner, quando inventou esse termo, e instruiu os genitores acusador de abusos sexuais. Isto é comprovado na leitura de seu livro “True and falses accusations of child Sex abuses”. Ele escreveu: “as atividades sexuais entre adultos e crianças fazem parte do repertório natural da sexualidade humana, são benéficas para a criança pois a tornam sexualizada e a fazem ansiar pelas experiências sexuais da procriação, garantindo a preservação da espécie”. Ele escreve que não é o abuso sexual praticado pelo pai que traumatiza a criança, é a resposta draconiana da sociedade, é a não aceitação dessas praticas que causa trauma. E aqui ele culpa a mãe, porque ela não “cumpriu” devidamente suas obrigações conjugais com o marido e porque ela reagiu de “maneira histérica” à violação da criança pelo genitor. Como afirma, citado acima, o estupro incestuoso é natural no repertório da sexualidade humana.
Este livro, como os outros, são recheados de proclamação de aberrações, todas na direção da naturalização do incesto. Ele aconselha os terapeutas de mães de crianças abusadas a estimularem a masturbação nelas mesmas, com o uso de vibradores, para que se tornem mais sexualizadas e possam atrair de volta o marido que passou a usar a filha ou filho. É categórico em afirmar que o abusador não deve ser afastado de casa, que ele precisa ser bem acolhido, porque esse comportamento é normal. E ainda sugere que as crianças abusadas por seus pais devem assistir a filmes, o termo da época era vídeo cassete, de outras crianças sendo abusadas ou registro delas mesmas para que se acostumem e entendam que é normal o que os genitores fazem com suas crianças. Criança e psicólogo sentados assistindo videocassetes de barbaridades, para esse senhor, seria terapêutico.
Gardner era próximo de Kinsey, que inventou a Escala da sexualidade da criança, que permitia medir a curva de orgasmos diários que uma criança pode ter. O laboratório humano composto por órfãos da guerra lhe fornecia a possibilidade de contar o que chamou de orgasmo na infância. Evidentemente, está lá na escala, que os 7 orgasmos diários de um bebê de 8 meses, por exemplo, eram resultado de manipulação de seus órgãos genitais, obtidos por um adulto, um técnico de laboratório, como devia ser identificado. E todos os dias aquelas crianças, de meses, de 2 anos, 3, 4, 6, 7 anos, (acho que a amostra era de zero a 7 anos), eram aferidos em seus “orgasmos”. Kinsey parece ter fornecido a convicção do gozo sexual na infância para Gardner, que defende a naturalização do abuso sexual intrafamiliar.
Será que o veículo que defendeu a permanência da lei de alienação parental buscou o acesso a essas informações registradas em livros. Não é opinião, não é disputa de guarda, alcunha também errada, é uma lei emboscada que protege o adulto agressor. Gardner emitiu mais de 400 laudos inocentando pais abusadores com o que ele instruiu: pai acusado de abuso sexual tem que girar o holofote para a mãe. E assim, vai se safar da acusação.
O mais cruel e enlouquecido é que vai sendo efetivada a legalização do estupro de vulnerável, termo técnico jurídico para todo e qualquer ato de lascívia. O abuso incestuoso é evaporado pela fraudulenta reativa de um pobre pai que está sendo alienado, impedido de conviver com o filho ou filha. Então, com nos ursos que viram estrelas, a justiça se encarrega de alienar a mãe que ganha uma tarja de louca, ressentida, rancorosa, a alienadora é alienada, legalmente. Interessante, não? Afastar o pai porque ele está abusando do filho ou filha, não pode. Vai ser impossível a criança se desenvolver sem aquele pai. Mas fazer desaparecer a mãe para a criança, isso pode, e não faz nem um malzinho. A justiça entrega a criança abusada a seu abusador. Afinal a mãe é alienadora, coisa que nem existe cientificamente. Isso não tem nenhum problema? Se o crime de estupro de vulnerável é um crime quase perfeito, não deixa rastros, com a ajudinha da “lei”, a falsa acusação de prática de alienação prescinde de provas, basta a voz grossa afirmar. Mulheres são todas loucas. E diante de uma lei testosterona, nunca mais ela deixa de ser considerada alienadora. Nunca.
A criança vai ser massacrada até deixar de relatar os abusos. São infinitos “estudos”, praticando a revitimização continuada. À exaustão. O ECA, que garante a Proteção Integral da Criança é desprezado. Uma lei que é inspiração para inúmeros países, considerada primorosa, não vale nada quando entra a supremacia da lei de alienação parental para acobertar crimes contra o corpo e a mente da criança. Assim, o ECA, assim como a Lei Maria da Penha, outro exemplar de qualidade invejável, leis brilhantes que vêm sendo desidratadas. Ambas, leis de Proteção de Vulneráveis. Ambas, leis que abraçam a Maternidade. Coincidência?
Feminicídio em explosão, quem autoriza? Parte II
Feminicídio em explosão, quem autoriza?
Parte II
Os números contabilizados de Feminicídios de 2024 confirmaram mais um recorde. Seria uma medalha de ouro? Deveríamos nos orgulhar de mais um recorde batido? Foram 1470 em 365 dias, o que faz acontecer 4 a cada 24 horas. Ou seja, durante uma jornada de trabalho do brasileiro comum, que nunca é do oficial 8 horas somente, nem no regime 6x1, na verdade, 7x7, 2 homens matam 2 mulheres. Enquanto você trabalha ou dorme, homens matam mulheres. Não são todos. Existem os que se omitem e, portanto, dão palco para os assassinos. Mas, também existem os que, proativamente, têm lutado contra esse extermínio disfarçado. Não são todos os homens que matam as mulheres, mas são sempre homens que matam.
Mas, não temos o número de homens assassinos presos, condenados ou aguardando presos o julgamento. Temos notícia de muitos que fogem do flagrante e estão há anos foragidos. Sem serem incomodados. Onde estão os 1470 assassinos dessas mulheres?
Aliás, aproveito para sugerir que a Justiça, diante do desastre humanitário da matança de mulheres, possa ter um caminho de julgamento que seja tão célere quanto os golpes e balas que eles despenderam para assassinar a mulher que ele “amou” e depois “odiou para matar”. Não me refiro a nada sumário, mas poderia ser criada uma Vara que se especializasse nesse tipo de crime. Há evidências, há provas, há confissão na grande maioria, então, por que não simplificar cumprindo todo o rito da ampla defesa? Enxugar os benefícios também seria uma sugestão. Tem um “Marlon” que foi julgado por estuprar uma criança de 13 anos, mas só pegou a pena mínima, 8 anos, e logo foi beneficiado com a “saidinha” de Natal, quando ele estuprou sua própria mãe, e voltou a julgamento mas teve prisão domiciliar, quando matou a enteada. Fez jus à licença de cometer crimes contra mulheres que lhe foi dada. Alguém tem alguma dúvida sobre se está sendo exercida a função da Justiça, do cumprimento da Lei e de sua inerente penalização como regra fundamental de convivência social e hábito de cidadania? Dúvida? Esse não é um exemplo de exceção. É só ter vontade de conhecer, e se informar direito. Ler, e juntar b com a.
Estamos falando apenas dos casos letais. Se fossem incluídas as tentativas de Feminicídio, esses números ganhariam um acréscimo em progressão geométrica.
Enquanto contamos 1 homem que assassina uma mulher com crueldade a cada quase 4 horas, encontrei vários grupos, preocupadíssimos, com o assassinato de 1 mulher a cada 3 dias. Está acontecendo na França. A mesma França da Revolução de 1789 que esculpiu na Nação os 3 Princípios: Liberté, Égalité, Fraternité.
Os estudiosos se perguntam: como? As Mulheres têm todos os direitos na França. E como 1 homem mata 1 mulher a cada 3 dias? A Igualdade foi detonada quando o Direito à Vida lhe é abolido. A Liberdade está ferida. A Fraternidade também foi atingida, posto que uns matam e outros silenciam, consentindo. Nada Fraterno.
Nessa minha participação nesses grupos, estudei na França, encontrei além do tema do Feminicídio, o tema do estupro de mulheres, o dos abusos sexuais intrafamiliares contra a criança, o incesto, o da violência física e psicológica contra a criança, e o da violência doméstica contra a mulher. Os grupos são formados por jornalistas especializados, advogados, promotores, psicólogos, e vítimas que descrevem de frente o que sofreram. Adultos que relatam com clareza suas dores e sequelas que carregam desde a infância, 3 anos, 5 anos, até o fim da adolescência, e descrevem uma Justiça desfuncional, de onde se apreende o mesmíssimo modus operandi dos criminosos. As histórias seguem roteiros que não consideram, aparentemente, a geopolítica. Iguais.
O que me impressionou foi encontrar o mesmo relato das vítimas desses crimes onde supomos que exista Respeito às Leis, onde os Direitos são, Iguais. Na letra, ao que parece. E aquilo que pensávamos ser um fenômeno dos confins do nordeste, alvo de muito preconceito, acontece em lugar e sociedade com outro desenvolvimento econômico e educacional, bem distinto, dando a impressão que esses avanços civilizatórios não interferem na extinção dessas barbáries. A quantidade é, notavelmente, menor, sim. Mas os homens continuam matando e sendo violentos com mulheres e crianças, mesmo que as condições de vida sejam melhores.
É esse o ponto que me intriga.
sábado, 17 de janeiro de 2026
Ainda Feliz Ano Novo!
Ainda: Feliz Ano Novo!
Tempo alegre, tempo de bons propósitos e bons votos. Sorrisos abundantes!
Paz, saúde, felicidade, amor, dinheiro. Talvez esses tenham sido os maiores desejos que compuseram os votos de Ano Novo. A alegria era verdadeira. A esperança em dias melhores era a todo momento referida. Os repórteres fazendo o trabalho, contentes, não se davam conta da monótona repetição dos bons votos.
Mas algo começou a me soar estranho, e não eram as felicitações. Estava me sentindo sendo arranhada. Comecei a prestar mais atenção nas falas. Eram legítimas naquele clima de alegria. Onde estava a varinha de condão que transformou tão radicalmente o clima. Não me refiro ao clima geológico, falo do clima social e afetivo. Até um dia atrás nossas mentes eram invadidas por fatos cruéis expostos nas mídias.
Estávamos, por um longo tempo, imersos num mar de violências com resultado Feminicídio. Uma enxurrada que não veio de um forte temporal, mas das mãos de homens armadas de facas, de revólveres, de carro em velocidade, de álcool e fósforo, em atrocidades inimagináveis, na presença das crianças da casa. As mesmas crianças que estavam na expectativa da visita do Papai Noel, prestes a chegar, depois de um ano de espera. Mas a magia desse tempo, que habita o imaginário e os registros mnêmicos de todos, não foram capazes de conter as mãos da barbárie.
Comecei a me indagar: por que será que ninguém desejou respeito, desejou muita tolerância, desejou muita empatia, desejou muita solidariedade? Em momento que desejos utópicos são benvindos, por que ninguém desejou que acabe a violência contra as mulheres, ninguém desejou o fim dos feminicídios? Ninguém. Nem mulheres que são o próximo alvo, por excelência, e pior, nem homens. Sim homens. Eles compõem o elemento predador, em proatividade. Todos? Não. Os que assassinam mulheres e os que se mantém em silêncio. Não matam, mas não combatem, proativamente, sonoramente, ruidosamente, explicitamente. Não basta ser contra baixinho, só quando perguntado. Faz-se necessário se engajar, entrar no combate, que não quer dizer pegar um megafone e sair pela rua gritando, mas é, principalmente não ficar em silêncio depois de uma “piadinha” sobre mulheres. A omissão nos coloca ao lado do agressor, não existe “posição neutra”. Os opressores são alimentados pelo silêncio de quem testemunha um ato de violência, de qualquer tipo.
É preciso que todos saiamos em campo, em família, nos trabalhos, nas reuniões sociais, no sistema educacional, para detectar a capilaridade das raízes da misoginia, que nasce de um microponto multissecular que estabeleceu uma desigualdade de qualidade, atribuída à mulher. Para demolir a misoginia, que é estrutural, e ancestral, necessitamos de um duro trabalho contínuo, executado com afinco e persistência. Não basta não se intitular misógino ou misógina, fenômeno, aparentemente, incongruente que urge ser estudado a fundo. Mulher que odeia mulher, e ataca. A mulher é alvo de ódio pela capacidade exclusiva da maternidade, lhe sendo atribuída a definição de ser a criatura que se comunicou em diálogo com o diabo. Não precisa ser religioso, há sempre outro caminho para lhe atribuir a maldade, uma alta periculosidade. É ela que tem uma caverna que não se pode ver, que já até fabularam como sendo dentada, a expressão de violência que lhe é atribuída. É ela que, em dois pedaços de seu corpo, produz o leite que mantem a vida para toda a sua descendência. É ela que, pela intimidade com a Natureza, era capaz de ter o conhecimento das ervas que curavam, ganhando, assim, o título de bruxas. Obrigadas à condenação à morte, queimadas vivas em fogueira, em local público, deixando o rastro do terror em todas as mulheres. Hoje, há mais sofisticação para essa condenação institucional à morte. O segredo de justiça se encarrega de “um faz de conta” de proteção que, na verdade só beneficia o agressor, sob os auspícios da lei. Até as crianças tomam conhecimento do cancelamento da mãe do amiguinho, sob o patrocínio dessa lei. O entorno daquela mulher que buscou a Justiça para proteger seu filho de um predador, assiste em silêncio o esmagamento da Maternidade dela.
O Poder de gestar e amamentar, Poder da Maternidade, foi desidratado até se tornar um pó, visto como venenoso, pintando o Poder do Gênero com as cores da maldade, as tintas da perversidade. E, mantendo a Ordem Global da Submissão, a total obediência. Matar é, apenas, um ponto nesse extermínio da Maternidade. Esse, me parece, ser um projeto político.
Aliás, essa enxurrada de Feminicídios parece a reinstalação de outro tempo de caça às bruxas. Leis misóginas, como a LAP, igualmente, cumprem essa função de caçá-las silenciá-las, aniquilá-las. Queimá-las em vida. E, vale ressaltar, que essa lei e os procedimentos perversos dela decorrentes, são operados por mulheres também que seguem preconceitos, e se alojam no mecanismo de defesa da Identificação com o Agressor, o predador.
A prática da desconexão com o outro, a outra, nessa pauta, alicerça a misoginia em suas várias camadas. É possível observar, com um pouquinho só de atenção, que o Feminicídio Social é um processo que é mantido pelo silêncio conivente, além da postura proativa, hoje escancarada nas redes sociais. É a omissão diante dos atos e dos discursos de ódio, que dá autorização à barbárie.
Desejo a todos que em 2026 possamos trocar mais Respeito, ter mais Tolerância, juntar mais Solidariedade, construir Empatia, e perder o medo em Desagradar agressores. Desejo, sobretudo, que sejamos Honestos.
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