segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
As franquias de Epstein Parte I
As Franquias de Epstein.
Parte I
Estamos inundados de Epstein. Parece que caí nas Cataratas do Iguaçu, que nos dão a certeza que a água não vai acabar nunca, e não vamos mais nos livrar dela. Talvez a imagem tenha um que de exagero, mas é como eu me sinto. Confesso que tenho dificuldade de imaginar 3 milhões de documentos de onde saem números enormes, os menores em milhares.
O mais assombroso é que, parece, parece, que tem mais 3 milhões de documentos que estariam censurados por algum critério, o primeiro que surge é que seriam piores os horrores. Será? Talvez seja porque contém nomes que ainda não foram negociados, devidamente. Ou mesmo que sejam coisas mais horripilantes ainda. Evidente que, na ilusão de que somos uma civilização, existe uma intensidade de crueldade que não imaginávamos.
Também ilusão pensar que, uma vez que tenhamos o conhecimento, vamos resolver a pornografia de crianças e adolescentes, que conhecendo os pedocriminosos vamos puni-los, e até acabar com a pedofilia. Sonhar é livre. Estamos adentrando nas trevas. E descobrimos que são 150 tons de sombras, ou 150 mil tons de sombras. Estamos nos consolando com esses sonhos de consertar o que é muito maior do que o que estamos vendo.
Antes de tudo, é indispensável que estudemos a situação para buscar uma possibilidade de enfrentar essa Organização Criminosa Internacional e, Transgeracional. Esta avalanche de barbárie é, antes de tudo, uma demonstração de Poder. Os Poderosos estão nos dando um recado sobre seu Poderio. Continuamos submetidos aos donos do mundo. Não é para consertar, é para mostrar a força. Uma força que esmaga e efetiva a cremação de humanicidade. E precisamos ter muito cuidado nessa hora. Confesso que não sei por onde começar dentro de mim. Não vou regar e adubar um pé de ódio por um monstro, achando que vai dar frutos. Não há um monstro.
De repente, não mais que de repente, desenharam-se franquias de Epstein pelo mundo, e, em nosso território. Um professor de Direito, que já até esquecemos, mecanismo de defesa do ego, um serial estuprador que foi notificado por 24 vítimas. As vítimas que se sentiram encorajadas a prestar denúncia. Não temos ideia de quantas meninas foram violentadas por ele. Assim como não vamos ter conhecimento de todas as crianças, meninas e meninos, e adolescentes que os homens poderosos estupraram e assassinaram. Bebês também. A indubitável coincidência do similar modus operandi de Epstein e do Professor de direito que vitimava suas alunas: seduzia, dopava, estuprava com crueldade e filmava tudo.
O intrigante é que o professor e, no flagrante, presidente de Instituto de Defesa de família, está livre, leve e solto. Foi fotografado, sorridente, em evento que o homenageou, sim, o homenageou, há poucos dias. Feliz.
Não é para menos. O juiz que relaxou sua prisão pedida, justificou que ele não oferecia risco. Não oferecia risco??? Afinal, tem endereço fixo, é réu primário, e o juiz tem certeza que ele vai se comportar bem respondendo o processo que mutilou a mente e os corpos de várias meninas. Se, as meninas violentadas por esse professor eram ameaçadas para que mantivessem total silêncio sobre as barbaridades que ele praticava, o Senhor Juiz acredita mesmo que o “suspeito”, ele, não ameaça mais porque o juiz falou que isso é errado?
É admirável o autoconvencimento de alguns magistrados. Com todo respeito. Uma criança de 6 anos, é torturada e amarrada à uma cadeira pelo genitor, divulga o registro, tem a convivência diminuída, mas a sentença segue em sentido contrário e garante a ampliação dessa convivência: “fez, mas não vai mais fazer, não tem nenhum risco.” Onde fica guardada a garantia da não repetição de uma violação dessa monta?
Não consigo compreender o novo significado do termo “risco”. Quando constato que um enorme número de feminicidas tinham essa justificativa nos seus processos. Alguns que, inclusive, já tinham cometido crimes anteriores de violência doméstica, e mesmo assassinato. Se o crime é contra a criança, prevalece uma crença de que a convivência com o genitor agressor ou não, é indispensável, e a criança é forçada a estar com esse genitor, acompanhada ou sozinha, para ficar por horas e até pernoitar com seu algoz. E o “risco”, é só uma ilação? Talvez um exagero. Mas, onde acomodar os crimes cometidos sob essa garantia aludida?
Crianças vão afundando no desespero. Seus relatos, Exames de Corpo de Delito, fotos e vídeos, o visível e inegável tormento emocional, com somatizações, perdem o status de fato comprovável e são interpretados, sempre tendo como inspiração o sentido psicanalítico. Essa inspiração foi deslocada porque ela só cabe no processo de tratamento psicanalítico. É muito atraente descobrir o recalcado, o simbólico, o fantasmado. Mas essa é uma função do psicanalista no exercício laboral específico. Não deve ser usado como método por pessoas que não estão prestando serviço de tratamento psicológico.
Esse uso inadvertido dessa metodologia, não passa incólume pela criança que está se machucando para relatar, e reviver, as dores dos traumas sofridos ao ser submetida aos atos de lascívia e de violência física. Sentir que não é escutado nos fatos que sofreu, empurra a criança para um desespero insuportável. A Ideação Suicida começa a ser insistente, “ninguém me escuta, não quero ficar com ele, nem ver ele, o juiz me obriga, então vou me matar”. Estamos correndo graves riscos, no significado do dicionário, que têm sido feitos tentativas. Enquanto crianças, as tentativas não têm resultado morte, pela incapacidade de calcular bem a ideação. Mas erros de cálculo podem ocorrer. O desespero é um combustível perigoso. E, convivência forçada é tortura velada.
No entanto, urge nosso cuidado com a dor em desespero pela desqualificação da palavra da criança, a vítima negligenciada por todos nós. A Ideação Suicida de Crianças é um grave problema, olhado por operadores de justiça, por vezes, com desdém da criança e deboche dirigido ao profissional que faz o alerta.
A impressão que fica é a da impunidade, do tudo pode, do desamparo de vulneráveis, de uma justiça que existe, apenas, para parte da população. As Franquias de Epstein estão por toda parte.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário