terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

As Franquias de Epstein Parte II.

As Franquias de Epstein. Parte II Continuo intrigada com o significado do termo “risco” quando é usado em Processos de Vara de Família. A postura negacionista, amplamente usada, garante., não se sabe baseada em que, a não opção para que se torne realidade. Mas, todos os dias vemos as estatísticas exibirem os riscos consumados em feminicídios e infanticídios. Os corpos de mulheres, crianças, LGBTQIAPN+, indígenas, animais, servem ao gozo de Poder, um exercício onde o infinito, com seu símbolo de 8 deitado, está a serviço da crueldade. Ela não tem limite. Por ingenuidade, por ignorância ou por, em algum nível, cumplicidade, a sociedade e seu executor de regras do convívio, o sistema judiciário, têm escolhido a bondade diante dos pedo-criminosos e dos feminicidas. Códigos sociais existem, Leis, até de excelência como a Lei Maria da Penha, estão escritas no nosso corolário jurídico, mas quase nada é feito, quase nada segue o procedimento necessário. Os pedo-criminosos, em sua habilidade de convencimento e sua capacidade de dissimulação, são muito bem acolhidos nos processos e audiências, e quando julgados, raridade, lhes é dada a pena mínima e logo entram em regime de progressão de pena, voltando a cometer seus crimes. Vale lembrar que um estuprador, pode até dar um intervalo, mas vai estuprar de novo, e de novo. Isso não é um palpite, não é uma opinião. É resultado de evidências estudadas. E, evidentemente, é inaugurada a pavimentação da estrada da pedo-criminalidade, com uma pista de 8 faixas de rolamento, só em uma direção, a da perversão. Sem sentido contrário. Não há como voltar. Temos vasta exemplificação nesse momento. O caso Epstein parece ser o carro chefe, seguido de toda sorte de organizações pedo-criminosas e da Cultura Feminicida. Enquanto essas organizações se valem das bondades legais que protegem predadores intrafamiliares, as crianças são condenadas a se tornarem o bônus para seu abusador, inocentado, ao mesmo tempo que são punidas com a Privação Materna Judicial. Falo de organizações porque há um respaldo que agrega esses pedo-criminosos, sempre prontas a prestar auxílio jurídico, e, muitas vezes financeiro. Cada “peixinho” pequeno é importante para proteger para que os grandes “peixes” continuem gozando do anonimato nos crimes. Por que preferir favorecer um adulto suspeito de pedo-crimes, em detrimento de uma criança que está em visível sofrimento? Se não há certeza sobre o relato dela, por que ter certeza da narrativa daquele a quem ela denuncia? Assim acontecem os crimes contra as mulheres. Elas procuram as delegacias, prestam queixas, colecionam Boletins de Ocorrência e são assassinadas, mesmo assim. Foi uma saga dessas que Maria da Penha Fernandes, depois de anos denunciando a violência, recorreu à OEA, a Organização dos Estados Americanos, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, CIDH, e, só assim, escapou de ser assassinada pelo seu agressor. Há poucos dias um homem assassinou com crueldade uma mulher jovem que já tinha recorrido à Polícia 15 vezes. Não é difícil entender o descrédito que a população tem nas Instituições que têm como função a garantia da Lei, e a sensação de Justiça que todos precisamos. Temos leis, não temos Justiça. É só ler a notícia de mais um Feminicídio, com as inúmeras anotações criminais no curriculum do criminoso. E aí a pergunta surge: e estava solto? Voltamos à questão do significado semântico do termo “risco”. Nosso Congresso não se interessa pelo assunto da revisão de leis lenientes com criminosos hediondos. Parece que, como eles, homens, andam cercados de seguranças em carros blindados, nem imaginam, e nem querem imaginar, o que é viver com medo, o tempo todo. Aquele Professor de Direito, que ocupava cargo de direção em Instituto que se diz de direito de família, outra aparência ilibada, que teve 24 vítimas que fizeram denúncias de estupros, um serial que dopava as vítimas e as violentava com ferocidade, machucando-as, ele mesmo estava em evento público, sendo homenageado. Sim, também teve o entendimento que não oferecia risco. Como? Nenhuma vítima foi consultada sobre o medo que teriam com esse relaxamento. Afinal, os juízes e as juízas têm certeza de que são obedecidos pelos criminosos. Não sei em que se baseia essa certeza. Se tivéssemos o procedimento da Responsabilização de quem aposta em criminoso, talvez essa certeza já estivesse sendo visitada pelo benefício da dúvida. E o cuidado aparecesse com a dúvida. E crianças estivessem sendo salvas das redes de pornografia infantil internacional. É preciso qualificar melhor a competência de todos os agentes que devem promover a Proteção Integral da Criança. A Organização Epstein não morreu, não é problema dos outros países, não está longe. E não vai acabar com ações disciplinares. E está tudo conectado na imensa capilaridade das perversões. Não há caso isolado nem em quantidade, nem em qualidade de crime. É uma rede, também. Não podemos ser ingênuos em pensar que sabemos por que isso está sendo divulgado, então vamos resolver. Enquanto não olharmos para a etiologia desse defeito que faz crescer uma pessoa sem as estruturas cerebrais responsáveis pela empatia, não vamos instalar uma nova cultura do respeito ao outro. E a Organização Epstein vai continuar ativa. E as Franquias Epstein, também. O primeiro efeito nefasto é que já subiu o sarrafo, ou seja, já foi operada uma dose de naturalização para os atos de lascívia mais frequentes, mas nunca menos traumáticos e desastrosos. Mas diante de tamanhos horrores, com tortura e morte, incluindo canibalismo de bebês, chocados, depois do estômago embrulhado, das noites de insônia, dos pesadelos que sonhamos, da “paranoia” na vigilância das crianças, que as pessoas serão punidas e passaremos todos a fazer frente aos pedo-criminosos. Acredito que essa exposição é intencional, é para meter mais medo diante do Poder. É uma exibição de força acima de todos e de tudo. É assim que poderosos se comportam. Não recuam, avançam ainda mais mostrando suas armas letais e perversas. É só olhar para os números de Feminicídio e o agravamento de suas atrocidades. Dessa vez, o da semana, foi um piloto de aviação comercial, pacato senhorzinho, de aparência agradável, acima de qualquer suspeita. alguém que tem sob seu comando um avião com 200 ou 300 pessoas à bordo, sob sua responsabilidade. Mas, talvez, gostasse mais de pensar que elas estavam sob seu domínio. Tinha uma vovó que recrutava crianças para ele, a começar pelas suas 3 netas, as quais negociava com ele. Com seu rostinho angelical, ele se aproximava de mães e avós, ganhava a confiança e abria o acesso às crianças, filhas e netas delas. Uma Franquia do esquema Epstein. Um pouco mais modesta no alcance, mas o mesmo modus operandi. Não precisamos de novas leis, atrativo para restar legisladores como reserva eleitoral. Vazio. Precisamos pensar a linha transgressora que corre em nossas veias, a tendência acentuada de identificação com o agressor. Se pensarmos que vivemos em líquido de benesses de transgressores de toda ordem, dos pequenos delitos até os grandes crimes, o que abre portas e janelas para crimes hediondos , um pai que assassina os dois filhos para matar a maternidade da mãe, e que ainda assim, consegue aliados, consegue engrossar sua voz dissimulada, em explícita crueldade.

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