terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Feminicídios em explosão, quem autoriza? Parte I
Feminicídios em explosão, quem autoriza?
Parte I
Nós. Toda a sociedade autoriza e se dobra à Misoginia, o preconceito de base, o preconceito estrutural, por ação ou omissão, e, entre a ação e a omissão, existe a ação camuflada de cegueira. Aliás, já escrevemos sobre a “cegueira deliberada” nas Varas de Família, apontada há mais de 15 anos por Desembargadora que em seu Artigo “Incesto e o Mito da família feliz”, na pág. 176, “a cegueira da Justiça”’, de seu livro Incesto e Alienação parental – Realidades que a Justiça insiste em não ver, onde ela também discorre em subtítulos sobre “a lei do silêncio”, “a face oculta do incesto”, “a farsa da alienação parental”, temas muito bem abordados pela autora. Sei que vão estranhar a descoberta da posição do pensamento exposto à época, que pulou para o lado oposto do terreno. Sempre recebo observações me perguntando se não estou enganada. Esta é uma questão que guardo uma grande curiosidade, eu também. Um interessante ponto a ser estudado. Precisamos saber se esse tipo de mudança, por exemplo, induz o judiciário a seguir na “cegueira” como está afirmado no livro, onde é acrescentado que “a Justiça acaba sendo conivente com o infrator, culpabilizando a vítima”, Pág. 176. Afirma ainda a autora que a justiça, não aceitando a voz da criança em fragmentos “coerentes com as situações e os comportamentos envolvidos, legitima o incesto. A impunidade reforça a invisibilidade do incesto, chegando a legalizá-lo.”
Estamos falando de violência sexual de criança porque ela faz parte do tipo de Feminicídio Continuado. Manter, ininterruptamente, uma mulher sob forte pressão, usando uma lei que foi inventada para defender genitores acusados de pedofilia, sem respaldo científico nenhum, é uma forma torturante de Feminicídio lento e invisibilizado. Essa era uma das torturas experimentadas nos laboratórios humanos, desenvolvidos pelos nazistas, para medir a capacidade da mãe aguentar a privação de seu filho que lhe era retirado, similar à inversão de guarda por “busca e apreensão”, atual e legalizada, em episódio traumático, porquanto a criança sai “presa” no colo de um policial armado.
Não há nenhuma dúvida que esta prática judicial é traumática para a criança. Repercutindo, evidentemente, na mãe, que, por vezes, recebem respingos da truculência que age contra seu desespero ao ver a criança, muitas vezes, muito pequena, em lactação, mas nada é suficiente para deter o ódio que alimenta esse procedimento.
Não se sabe nada sobre essas crianças. A omissão do Estado, outro subtítulo também do citado livro, não acompanha a criança nesse período de pós trauma severo. Afinal, todos sabemos das sequelas da Privação Materna que causa severos quadros psicopatológicos, amplamente estudados pela Psicologia. Não há nenhum Protocolo a ser seguido, nenhum acompanhamento psicossocial, nenhuma avaliação psiquiátrica da criança. Não se tem notícia nenhuma de seu comportamento, de comorbidades, de seu desempenho escolar, de seu desenvolvimento. Nada.
É como se fosse consagrado: está com o pai, então pronto. Não se conhece os efeitos da falta total da mãe, imposta judicialmente, e nem da convivência com o genitor, na maioria dos casos suspeito de estupro de vulnerável. A justificação é sempre que os comportamentos lascivos não restauram provados. Claro. Esse é um crime quase perfeito. Os estupradores não deixam rastro, são meticulosos. Mas crime não provado não é afirmação de inocência. Pode ser metodologia com fragilidade ou pode ser devido à grande competência do autor.
Assim também, todo esse sofrimento da mãe, este podemos ver porque temos acesso, diferente da criança que passa a se sentir, completamente, desamparada, vai operando um Feminicídio Continuado. E quando a mãe morre, no atestado de óbito está escrito AVC, ou infarte, ou uma neoplasia fulminante, por exemplo, mascarando a real causa. A despeito da tortura dos nazistas, nem todos os organismos aguentam por 10, 15, 20 anos viver sob o medo, o insulto, e o terror, contínuos.
No próximo artigo, abordaremos um outro tipo de Feminicídio, igualmente devastador. A Maternidade concentra um ímã de ódio que aumenta as estatísticas. Com tiros, faca, fogo, socos e pontapés, jogar pela janela do 10º andar, com machadinha, pela ferragem do carro arrastando o atropelamento, as formas estão cada vez mais cruéis. Não basta desfigurar o rosto, é preciso desfigurar o corpo todo.
A consagrada impunidade desidrata as leis vigentes. Lei tem, mas... Um homem espanca e mata sua namorada, a coloca no carro e vai até a delegacia. Apresenta-se ao delegado que ouve sua confissão e o libera. Mas ao chegar no seu carro, lembra do corpo da moça. Sem hesitar, retira-o e deixa-o na calçada da delegacia. E, sem ser incomodado, vai para casa.
Não é roteiro de filme de terror. É terror na vida real.
Alienação Parental, mentiras e o lobby eficiente. Parte I
Alienação Parental, mentiras e o lobby eficiente.
Parte I
Há algumas semanas, me deparei com mais um artigo, sobre alienação parental, pleno de erros, desinformações, de Sofismas que se assemelhavam ao clássico exemplo do be-a-bá das primeiras noções do estudo da Filosofia: “ursos são animais, ursa maior é uma constelação de estrelas, logo, ursos são estrelas”. Era um Editorial de um Jornal de grande circulação. O artigo que traz o posicionamento de um veículo de comunicação no país. E me perguntei, mais uma vez: por que a mentira, as mentiras são tão facilmente espalhadas? A desinformação que nega todas as numerosas informações científicas e clínicas, robustas, com comprovação, e de acesso explícito, podem ser chamadas de mentiras estratégicas.
A pergunta seguinte se refere ao serviço prestado pelas mentiras em pauta. A quem servem? A mentira, por exemplo, de que se for revogada a lei 12.318/2010, as crianças ficarão sem proteção, parece estar pendurada num fio de teia de aranha. Essa lei protege, como explicitou o inventor do termo alienação parental, que nunca foi reconhecido pelas Associações Científicas, nem pela OMS, o agressor. Foi esse o objetivo do médico generalista, e também pedófilo, Gardner, quando inventou esse termo, e instruiu os genitores acusador de abusos sexuais. Isto é comprovado na leitura de seu livro “True and falses accusations of child Sex abuses”. Ele escreveu: “as atividades sexuais entre adultos e crianças fazem parte do repertório natural da sexualidade humana, são benéficas para a criança pois a tornam sexualizada e a fazem ansiar pelas experiências sexuais da procriação, garantindo a preservação da espécie”. Ele escreve que não é o abuso sexual praticado pelo pai que traumatiza a criança, é a resposta draconiana da sociedade, é a não aceitação dessas praticas que causa trauma. E aqui ele culpa a mãe, porque ela não “cumpriu” devidamente suas obrigações conjugais com o marido e porque ela reagiu de “maneira histérica” à violação da criança pelo genitor. Como afirma, citado acima, o estupro incestuoso é natural no repertório da sexualidade humana.
Este livro, como os outros, são recheados de proclamação de aberrações, todas na direção da naturalização do incesto. Ele aconselha os terapeutas de mães de crianças abusadas a estimularem a masturbação nelas mesmas, com o uso de vibradores, para que se tornem mais sexualizadas e possam atrair de volta o marido que passou a usar a filha ou filho. É categórico em afirmar que o abusador não deve ser afastado de casa, que ele precisa ser bem acolhido, porque esse comportamento é normal. E ainda sugere que as crianças abusadas por seus pais devem assistir a filmes, o termo da época era vídeo cassete, de outras crianças sendo abusadas ou registro delas mesmas para que se acostumem e entendam que é normal o que os genitores fazem com suas crianças. Criança e psicólogo sentados assistindo videocassetes de barbaridades, para esse senhor, seria terapêutico.
Gardner era próximo de Kinsey, que inventou a Escala da sexualidade da criança, que permitia medir a curva de orgasmos diários que uma criança pode ter. O laboratório humano composto por órfãos da guerra lhe fornecia a possibilidade de contar o que chamou de orgasmo na infância. Evidentemente, está lá na escala, que os 7 orgasmos diários de um bebê de 8 meses, por exemplo, eram resultado de manipulação de seus órgãos genitais, obtidos por um adulto, um técnico de laboratório, como devia ser identificado. E todos os dias aquelas crianças, de meses, de 2 anos, 3, 4, 6, 7 anos, (acho que a amostra era de zero a 7 anos), eram aferidos em seus “orgasmos”. Kinsey parece ter fornecido a convicção do gozo sexual na infância para Gardner, que defende a naturalização do abuso sexual intrafamiliar.
Será que o veículo que defendeu a permanência da lei de alienação parental buscou o acesso a essas informações registradas em livros. Não é opinião, não é disputa de guarda, alcunha também errada, é uma lei emboscada que protege o adulto agressor. Gardner emitiu mais de 400 laudos inocentando pais abusadores com o que ele instruiu: pai acusado de abuso sexual tem que girar o holofote para a mãe. E assim, vai se safar da acusação.
O mais cruel e enlouquecido é que vai sendo efetivada a legalização do estupro de vulnerável, termo técnico jurídico para todo e qualquer ato de lascívia. O abuso incestuoso é evaporado pela fraudulenta reativa de um pobre pai que está sendo alienado, impedido de conviver com o filho ou filha. Então, com nos ursos que viram estrelas, a justiça se encarrega de alienar a mãe que ganha uma tarja de louca, ressentida, rancorosa, a alienadora é alienada, legalmente. Interessante, não? Afastar o pai porque ele está abusando do filho ou filha, não pode. Vai ser impossível a criança se desenvolver sem aquele pai. Mas fazer desaparecer a mãe para a criança, isso pode, e não faz nem um malzinho. A justiça entrega a criança abusada a seu abusador. Afinal a mãe é alienadora, coisa que nem existe cientificamente. Isso não tem nenhum problema? Se o crime de estupro de vulnerável é um crime quase perfeito, não deixa rastros, com a ajudinha da “lei”, a falsa acusação de prática de alienação prescinde de provas, basta a voz grossa afirmar. Mulheres são todas loucas. E diante de uma lei testosterona, nunca mais ela deixa de ser considerada alienadora. Nunca.
A criança vai ser massacrada até deixar de relatar os abusos. São infinitos “estudos”, praticando a revitimização continuada. À exaustão. O ECA, que garante a Proteção Integral da Criança é desprezado. Uma lei que é inspiração para inúmeros países, considerada primorosa, não vale nada quando entra a supremacia da lei de alienação parental para acobertar crimes contra o corpo e a mente da criança. Assim, o ECA, assim como a Lei Maria da Penha, outro exemplar de qualidade invejável, leis brilhantes que vêm sendo desidratadas. Ambas, leis de Proteção de Vulneráveis. Ambas, leis que abraçam a Maternidade. Coincidência?
Feminicídio em explosão, quem autoriza? Parte II
Feminicídio em explosão, quem autoriza?
Parte II
Os números contabilizados de Feminicídios de 2024 confirmaram mais um recorde. Seria uma medalha de ouro? Deveríamos nos orgulhar de mais um recorde batido? Foram 1470 em 365 dias, o que faz acontecer 4 a cada 24 horas. Ou seja, durante uma jornada de trabalho do brasileiro comum, que nunca é do oficial 8 horas somente, nem no regime 6x1, na verdade, 7x7, 2 homens matam 2 mulheres. Enquanto você trabalha ou dorme, homens matam mulheres. Não são todos. Existem os que se omitem e, portanto, dão palco para os assassinos. Mas, também existem os que, proativamente, têm lutado contra esse extermínio disfarçado. Não são todos os homens que matam as mulheres, mas são sempre homens que matam.
Mas, não temos o número de homens assassinos presos, condenados ou aguardando presos o julgamento. Temos notícia de muitos que fogem do flagrante e estão há anos foragidos. Sem serem incomodados. Onde estão os 1470 assassinos dessas mulheres?
Aliás, aproveito para sugerir que a Justiça, diante do desastre humanitário da matança de mulheres, possa ter um caminho de julgamento que seja tão célere quanto os golpes e balas que eles despenderam para assassinar a mulher que ele “amou” e depois “odiou para matar”. Não me refiro a nada sumário, mas poderia ser criada uma Vara que se especializasse nesse tipo de crime. Há evidências, há provas, há confissão na grande maioria, então, por que não simplificar cumprindo todo o rito da ampla defesa? Enxugar os benefícios também seria uma sugestão. Tem um “Marlon” que foi julgado por estuprar uma criança de 13 anos, mas só pegou a pena mínima, 8 anos, e logo foi beneficiado com a “saidinha” de Natal, quando ele estuprou sua própria mãe, e voltou a julgamento mas teve prisão domiciliar, quando matou a enteada. Fez jus à licença de cometer crimes contra mulheres que lhe foi dada. Alguém tem alguma dúvida sobre se está sendo exercida a função da Justiça, do cumprimento da Lei e de sua inerente penalização como regra fundamental de convivência social e hábito de cidadania? Dúvida? Esse não é um exemplo de exceção. É só ter vontade de conhecer, e se informar direito. Ler, e juntar b com a.
Estamos falando apenas dos casos letais. Se fossem incluídas as tentativas de Feminicídio, esses números ganhariam um acréscimo em progressão geométrica.
Enquanto contamos 1 homem que assassina uma mulher com crueldade a cada quase 4 horas, encontrei vários grupos, preocupadíssimos, com o assassinato de 1 mulher a cada 3 dias. Está acontecendo na França. A mesma França da Revolução de 1789 que esculpiu na Nação os 3 Princípios: Liberté, Égalité, Fraternité.
Os estudiosos se perguntam: como? As Mulheres têm todos os direitos na França. E como 1 homem mata 1 mulher a cada 3 dias? A Igualdade foi detonada quando o Direito à Vida lhe é abolido. A Liberdade está ferida. A Fraternidade também foi atingida, posto que uns matam e outros silenciam, consentindo. Nada Fraterno.
Nessa minha participação nesses grupos, estudei na França, encontrei além do tema do Feminicídio, o tema do estupro de mulheres, o dos abusos sexuais intrafamiliares contra a criança, o incesto, o da violência física e psicológica contra a criança, e o da violência doméstica contra a mulher. Os grupos são formados por jornalistas especializados, advogados, promotores, psicólogos, e vítimas que descrevem de frente o que sofreram. Adultos que relatam com clareza suas dores e sequelas que carregam desde a infância, 3 anos, 5 anos, até o fim da adolescência, e descrevem uma Justiça desfuncional, de onde se apreende o mesmíssimo modus operandi dos criminosos. As histórias seguem roteiros que não consideram, aparentemente, a geopolítica. Iguais.
O que me impressionou foi encontrar o mesmo relato das vítimas desses crimes onde supomos que exista Respeito às Leis, onde os Direitos são, Iguais. Na letra, ao que parece. E aquilo que pensávamos ser um fenômeno dos confins do nordeste, alvo de muito preconceito, acontece em lugar e sociedade com outro desenvolvimento econômico e educacional, bem distinto, dando a impressão que esses avanços civilizatórios não interferem na extinção dessas barbáries. A quantidade é, notavelmente, menor, sim. Mas os homens continuam matando e sendo violentos com mulheres e crianças, mesmo que as condições de vida sejam melhores.
É esse o ponto que me intriga.
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