terça-feira, 17 de março de 2026
As Franquias de Epstein, o Estupro Coletivo, a Barbárie. Parte IV
As Franquias de Epstein, o Estupro Coletivo, a Barbárie
Parte IV
A Juíza Vanessa Cavalieri, Da Vara da Infância e Juventude, TJRJ, se pronunciou sobre os Estupros Coletivos. Ela irá julgar o menor infrator que participou, e, parece, e arquitetou esse estupro de 31 de janeiro nesse ano, motivo que não pode falar sobre esse específico. Mas ela afirma que já julgou dez, vinte, ou mais, estupros coletivos aqui na Comarca do Rio de Janeiro. Assustador! Parece que já se estabeleceu a instalação desse comportamento, com o mesmo modus operandi que usa a confiança em um ex ou “amigo” de escola, para violentar, na surpresa, por um grupo uma menina conhecida/colega/ex namorada, com toda a brutalidade. A Juíza Vanessa Cavalieri se refere a mais de 10, mais de 20, que ela já julgou. Há referências a estupros coletivos, em repetição, de alunos de Escolas privadas também.
O Crime que veio à tona ocorreu em apartamento da zona sul do Rio, área socioeconômica privilegiada. Os criminosos, 5, estudam numa Escola que atende os filhos de professores do Estado, inclusive de respeitabilidade pública, por obter ótimos resultados nos exames de acesso à Universidade. De onde não se espera, surge a barbárie. Assim também foi ao ser denunciado o Professor de Direito e Presidente de Instituto de Defesa de Família, Seção RS, por mais de 10 vítimas. Elas eram seduzidas, dopadas com anestésicos, como fez o Dominique Pelicot com sua esposa, em ambos os casos, estupros e violência física sendo tudo registrado e monetizado na internet. No crime do estupro coletivo, esse carioca, não se pode culpar os “PPPs”, (pobres, pretos, periféricos), diante desse cenário. Também os outros dois casos citados a título de exemplos, entenda-se que não são exceções raras, os dois criminosos são pessoas de inserção em camadas sócio-econômicas, e , interessante, intelectuais em níveis superiores na sociedade. Mas onde estamos falhando?
Para a Juíza, a introdução precoce da pornografia via internet. Concordo que este é um elemento que interfere no desenvolvimento saudável de nossas crianças. A Regulamentação do mundo virtual foi politizada e recebeu a alcunha de “censura”, o que leva a discussão para outro campo, bastante sensível, porquanto há algumas décadas vivenciamos uma censura que levava à prisão, à tortura e à morte/desaparecimento. Não podemos deixar de pensar que há registros mnêmicos pessoais ou sociais do que é uma censura. E, como hoje, a semântica é manipulada como arma política de massa, Regulamentação é travestida, facilmente, em Censura, e os brados por “liberdade de expressão” ecoam aos quatro cantos. Como se o fosse.
É, absolutamente, nociva a exposição à pornografia durante o desenvolvimento cognitivo que precisa se ajustar ao grande impulso do desenvolvimento hormonal. Não à toa, adolescentes são inundados de medo na vivência de sua sexualidade que brota em todos, uns mais, outros menos acometidos desse medo. Dá a impressão que, exatamente, aqueles que são mais atormentados por esse medo da nova fase da sexualidade, com a entrada na sexualidade adulta, esses, pela fragilidade insuportável, escorregam para o “corredor polonês”, (aquela antiga “brincadeira” agressiva, de meninos, de formar um corredor humano que bate na cabeça dos que são obrigados a passar pelo meio, sem saída de escape), ou seja, sucumbem à barbárie, e a violência física traz um pouco da ilusão da masculinidade deturpada.
Não entrarei nas emoções, experimentadas pelos criminosos em clubinho, advindas dos olhares que comparavam os centímetros do órgão tornado arma contra uma menina, totalmente, indefesa. Compartilhando sêmens uns dos outros, arrisco mesmo levantar a hipótese de que o tamanho era inversamente proporcional à violência deflagrada, quanto menor, mais chutes desferiu.
A impressão da Juíza Vanessa Cavalieri pela sua percepção de que aqueles criminosos repetiam performances que haviam assistido em vídeos pornográficos, é bastante plausível. Recém iniciados na sexualidade adulta, ainda sem experiência suficiente de prazer sexual por uma troca prazerosa com uma outra pessoa, aqueles criminosos entraram com uma unilateralidade no lugar da troca. Podemos aventar que, pela pouca maturidade tanto cognitiva quanto experiencial, o formato “pronto”, método “copiou/colou” em formatação imposta. Nada experimentado, nada construído, como precisava ser para a aquisição da sexualidade adulta.
Diante da estúpida barbárie exibida, ainda surgem comentários que culpabilizam a vítima. Se não é o tamanho da saia, esquecendo-se que uma freira de 83 anos foi estuprada há poucos dias, e ela não estava na madrugada de um botequim, é descredibilizada quando ela diz que não consentiu.
A falência, por omissão ou intenção, das Políticas de Segurança Pública “inventam” ferramentas que recaem sobre a mulher. Uma concessão especial, (uahu!!!) de portar spray de pimenta. É aconselhado que ela faça aulas de luta de defesa pessoal. E aulas de tiro para manipular as armas de fogo que deve ter. Para além da vulnerabilidade da mulher, é ela que vai ter que arcar com sua própria segurança, aliviando a Política Pública do Estado? Não bastasse o subterfúgio da “Medida Protetiva de Urgência”, que a começar pelo pedido muitas vezes negado imprimindo mais uma humilhação, e que não é respeitada. Parece que em torno de 60% dos Feminicídios vitimaram mulheres que possuíam MPU. Algumas tombaram com sua Medida na mão.
Assim também lançar campanhas enormes que custaram bastante, com o objetivo de “ensinar” a criança a dizer não para os toques nos pontos de seu corpo, como se o estuprador fosse lhe atender. Quando já temos a comprovação que uma mulher adulta sofre uma paralização severa ao se dar conta que será estuprada, como podemos pretender que crianças pequenas não deixem que um adulto, na sua grande maioria, um adulto que ela ama e obedece, vai conseguir obstruir um estupro?
Essas ferramentas só aliviam os que imaginaram a resolução através delas. Enquanto isso, vemos, os que surgem na mídia, agentes de justiça se comportando com falta de decência. Sob o famoso segredo de justiça, temos conhecimento de parcialidades escandalosas. Não estou generalizando, em absoluto. Há Justos na Justiça. Conheço alguns deles. Mas fazer do assédio uma prática de gabinete ou de casa de praia, não se coaduna com a função de fazer Justiça.
Em franquias de Epstein, como um banqueiro ou, um Piloto, ou o Professor de Direito, e fora do Brasil, como Dominique Pelicot manteve por 10 anos, ou como pequenos Quiosques de Epstein, como nas novas confrarias de homens jovens em estupros coletivos, a barbárie se instalou, e teremos muito trabalho para desalojá-la e reestruturar o código de Ética entre nós, rasgado por nós mesmos, que terá que começar pela mudança nos valores humanos .
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